Até 20 de janeiro.
No Museu Etnográfico da Madeira, Ribeira Brava.
"Na Região, os festejos de Natal, ou a "Festa", como é popularmente designado, são vividos de forma muito intensa. Começam, geralmente, a partir do dia 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, seguindo-se as nove missas do parto, em evocação aos nove meses da preparação ao parto da Virgem Maria, que têm lugar desde o dia 16 de dezembro, até à véspera do dia de Natal.
Após o dia de Natal, os rituais festivos prolongam-se com as oitavas da Festa, as festas de Ano Novo, o Dia de Reis e terminam, de uma forma geral, com a comemoração do Santo Amaro, designada por “varrer dos armários”, no dia 15 de janeiro.
No que toca à gastronomia tradicional da Festa, a função do porco marca o início da preparação deste grande acontecimento do ano, logo após o dia Santo, de 8 dezembro, que invoca a vida e a virtude da Virgem Maria.
Outrora, sobretudo nos meios rurais, por tradição, todas as famílias cuidavam do chamado porquinho da Festa, para ser abatido nas vésperas que antecedem o Natal. Parte do animal era consumido nesta época e as partes restantes eram todas aproveitadas, transformadas em linguiça, carne vinha-de-alhos, torresmos, carne salgada e banha, para serem consumidas ao longo de todo o ano. Esta tradição surge associada à subsistência das famílias, já que, em tempos, a carne do porquinho da Festa, era a única existente na dieta alimentar do povo.
A função do porco, atualmente sem a expressão de outros tempos, é uma tradição que se mantém viva na época natalícia e representa um momento de confraternização entre famílias, amigos e vizinhos.
As rotinas do trabalho agrícola, nas zonas rurais, “abrandavam”, no mês da Festa, para dar lugar à preparação das iguarias desta festividade cíclica.
As famílias repetiam rituais calendarizados, influenciados, alguns, pelas “luas”, sobretudo o primeiro, da função do porco e todas as tarefas que lhe estavam associadas. Seguia-se a preparação dos licores, com a fruta colocada previamente em infusão, a confeção da doçaria, nomeadamente os bolos e broas de mel, o bolo de família e o bolo preto e terminava com a amassadura de pão, nas vésperas do Natal e a armação da “lapinha”. Trata-se de tradições que o povo preserva, como parte integrante das suas vivências e memórias, resistindo à passagem do tempo e ao desenvolvimento tecnológico. Ficha Técnica:


