No próximo dia 3 de julho, pelas 15h00, terá lugar na sala de exposições da Assembleia Municipal do Porto Santo, a abertura pública da terceira exposição do ciclo itinerante (IN)FLUXO.
Este projeto, iniciado em 2024, propõe a apresentação e partilha pública de uma seleção de obras adquiridas no âmbito do programa anual de aquisições da SRTAC/DRC, destinadas ao reforço dos acervos do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira durante o biénio de 2024 e 2025.
Com a duração total de dois anos, o projeto (IN)FLUXO integra as comemorações dos Cinquenta Anos da Autonomia da Madeira e assinala os dez anos da transferência do Museu de Arte Contemporânea do Funchal para a Calheta e a sua reformulação como MUDAS.Museu.
Esta iniciativa circulará por vários concelhos da Região Autónoma da Madeira, tendo sido apresentada primeiramente na Calheta, posteriormente no Museu Quinta das Cruzes, no Funchal, e agora no Porto Santo, ao abrigo de uma colaboração institucional entre a Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura e a Câmara Municipal do Porto Santo. Este projeto prosseguirá a sua itinerância, estando agendadas futuras apresentações no Solar do Aposento (Ponta Delgada) e na Casa da Cultura de Santa Cruz (Quinta do Revoredo), antes de regressar à instituição de origem para a conclusão do ciclo.
Distintas entre si, estas cinco exposições apresentam, em cada ponto de itinerância, circuitos expositivos diversificados e adaptados às condições de cada instituição que acolhe a iniciativa, permitindo à curadoria cruzar narrativas estéticas e simbólicas em torno das obras e autores que integram o núcleo adquirido, colocando-as em estreito diálogo com os lugares de acolhimento e as suas especificidades.
No contexto desta mostra, os conceitos de fluxo e influxo manifestam-se como mecanismos de diálogo entre a estaticidade física da obra de arte e a dinâmica interpretativa do espectador, em contraponto com a ontem ocupação dos lugares da "casa" que é o Museu. Embora o objeto artístico se apresente como um produto acabado e aparentemente imutável, transita e ressignifica-se através do olhar do fruidor. É nesse encontro e nos seus resíduos que a obra se liberta da sua imutabilidade material, impactada pelas vivências, pelo quotidiano e pela subjetividade de quem a observa. Ao serem reposicionadas em determinados territórios, as obras desconectam-se do seu criador para gerar novos elos comunicacionais que questionam a ideia de transmutabilidade através do efémero da presença humana, com os resíduos ou "fantasmas" da sua passagem.
A passagem de (IN)FLUXO pelo Porto Santo reúne obras de vultos da arte portuguesa, como Menez, Júlio Pomar, António Pedro, Joaquim Rodrigo, Marcelino Vespeira, Paula Rego, Nadir Afonso, Jorge Martins, João Hogan, Sónia Delaunay, Fernando Azevedo, João Cutileiro, Alice Jorge, Teixeira Lopes, Nuno Siqueira, José Júlio, Artur Rosa, Jorge Barradas, António Areal, Maria Velez, Guilherme Parente, Eduardo Nery, António Sena, René Bértholo, Costa Pinheiro, Nikias Skapinakis e Espiga Pinto. Trata-se de um diálogo cruzado entre coleções, tempos históricos e o lugar que é uma casa, cuja memória atemporal atravessa séculos da nossa história coletiva. Aqui, os fluxos circulatórios são resíduos pendulares de tempos paralelos que confluem num tempo presente, sem a premissa ou a ânsia do amanhã, sabendo-o, contudo, como a sentença da existência.
Esta mostra poderá ser vista, integrada no espaço de exposições da Assembleia Municipal do Porto Santo, até ao final de outubro do corrente ano.
O Serviço Educativo do MUDAS.Museu irá, no decurso da exposição, disponibilizar à população, sob marcação, um conjunto de atividades em torno da mostra patente, podendo os interessados contactar através do número: 291 820 900 ou pelo e-mail: , para efeito de obtenção de informações ou mesmo reserva.


