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azul

AZUL CIANO é uma cor fria e juntamente com a magenta e o amarelo formam as três cores primárias essenciais, a partir das quais se obtêm outras.
O azul gera unanimidade nos nossos dias, é a cor favorita no mundo Ocidental. Mas nem sempre foi assim. Do Neolítico à Baixa Idade Média, a cor do céu e dos mares era alvo de desinteresse ou desconfiança. Com efeito, na Roma Antiga ter olhos azuis era quase uma deficiência; essa cor era associada aos bárbaros que a utilizavam para se pintar e assustar os adversários. Houve assim um longo caminho a percorrer, para a completa inversão desses valores.
O azul foi o primeiro pigmento artificial a ser criado, no terceiro milênio aC, no Antigo Egito era obtido através da mistura aquecida de calcário, areia e um mineral rico em cobre, como a azurite ou a malaquite, chamava-se azul egípcio. Era a cor associada à fertilidade e à proteção, sendo por isso usada nos amuletos das mulheres jovens, assim como nas pinturas de urnas e outros objetos fúnebres que acompanhavam os mortos na sua vida além-túmulo.
Antigamente a água raramente era azul, essa era a cor do céu e do ar, a passagem de verde para azul decorreu, lentamente, a partir do século 15 e a cartografia teve um papel primordial pela necessidade de assinalar a cor dos mares e dos rios, bem distinta dos verdes usados em terra.
O azul-claro assume várias designações como azul celeste, água-marinha e azul-bebé e esse é o tom escolhido, a partir do século 19, para a diferenciação de género nas crianças pequenas do sexo masculino. É a cor eleita dos românticos que a associam à nostalgia e melancolia. São precisamente a melancolia, a tristeza e o lamento, os sentimentos que definem o “Blues”. Historicamente este género musical surgiu, por volta de 1870, quando os escravos negros das fazendas de algodão, no sul dos Estados Unidos, criavam e cantavam melodias lentas e chorosas, que além de marcar o ritmo, mostravam a expressão de um povo desprezado, discriminado e sofrido.
É a cor da faculdade de Ciências e na Franco-maçonaria simboliza a sabedoria, lealdade e bondade. No casamento a noiva deve, entre outras tradições, usar algo azul-claro, a cor do amor fiel, o objetivo é atrair o sucesso e a felicidade à união. Não é uma cor muito comum na natureza, não abundam as flores azuis, nem mesmo no reino animal, no entanto algumas lagostas, caranguejos e polvos têm sangue azul por possuírem hemocianina, um pigmento respiratório rico em cobre que dá essa tonalidade.
Talvez por ser mais rara, é uma cor aristocrata a do “sangue azul” que identifica a origem nobre. Popularizou-se através do “denim”, tecido de algodão tingido de azul, usado pelos mineiros e operários, tornado hoje universal através dos jeans. É também a cor reconhecida por todos os que utilizam as redes sociais, o Facebook, o Twitter, o Tumblre e o Linked, domina os seus logotipos, talvez porque inconscientemente esteja ligada à tecnologia e ao alívio do stress. Pelo contrário se tiver pressa no envio de uma encomenda não fique atrapalhado, “being blue” não é a solução, vá aos CTT e use o “correio azul”.

Nas nossas Coleções os azuis fazem-nos ir às nuvens ou ao mar, sobrevoando desenhos e aguarelas, mergulhando nas pinturas e na cerâmica.

Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas