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indigo

O ÍNDIGO provém das folhas de um arbusto, o indigueiro, que era usado para tingir fibras têxteis desde o Neolítico. Originário da Ásia e da África, foi desde a antiguidade objeto de exportação, nomeadamente o que provinha das regiões da Índia era encaminhado para o Médio Oriente. Aí atingia preços muito elevados, pelo que o seu uso era reservado aos tecidos de qualidade. O índigo foi durante muito tempo desconhecido no Ocidente, onde o azul nem era muito apreciado.
O azul índigo, cujo custo será comparável ao do ouro, ganha importância na Europa a partir do século 12 quando, associado à cor dos céus e à divina presença, serve de fundo às imagens sacras, em iluminuras e vitrais; identificado com a Virgem através do seu manto, convertido aos mais intensos e luminosos tons de azul, ganha popularidade ao mesmo tempo que espelha a crescente difusão do culto de Maria; é ainda, em homenagem à Rainha dos Céus e com a flor de lis - outro atributo mariano - a cor escolhida para constar no brasão dos reis de França, e ao ascender a cor real acabará amplamente promovida através da heráldica.
Na pintura o pigmento azul é extraído do lápis-lazúli, pedra semipreciosa, muito dura, de um tom de azul profundo semeado de veios brancos e dourados. Tal como o índigo também provém do Oriente, nomeadamente da Sibéria, China, Tibete, Irão e Afeganistão, sendo estes dois últimos países os principais fornecedores do Ocidente antigo e medieval. A sua origem distante e a dificuldade em extraí-la, devido à sua dureza, tornavam este pigmento extremamente caro, sobretudo porque ainda tinha de passar por complexas e morosas operações de trituração e purificação antes de poder ser usado como cor. O pigmento produz uma grande variedade de belos e vibrantes tons de azul, resistentes à luz, mas com pouco poder cobridor. Por isso e pelo seu preço elevado é utilizado preferencialmente em pequenas superfícies, sobretudo em iluminuras no período medieval, ou nas zonas das imagens, em escultura e na pintura, que se pretendam valorizar.
A azurite é o pigmento azul mais usado na Antiguidade Clássica e no mundo medieval, é de origem mineral, mais acessível, mas também mais instável, cujos tons, tendencialmente mais esverdeados ou pretos, são menos belos e variam consoante o grau de trituração.

A nova moda de azul é favorecida pelos progressos das técnicas de tingimento e pelo desenvolvimento do pastel dos tintureiros, uma planta que nasce espontaneamente em várias regiões da Europa. Tornada mais acessível, a ascensão do azul continua favorecida a partir do século 14, pelo desenvolvimento de uma corrente moralista defensora da modéstia, contra a ostentação e limitadora do uso de uma série de cores vivas, com fortes e antigas conotações. O azul sai beneficiado, pela sua isenção, por se identificar com a honestidade, sobriedade, com o céu e o espírito. O seculo 18 marcará o seu verdadeiro triunfo no Ocidente, com a liberalização e generalização do uso do índigo e após a descoberta de novos pigmentos artificiais utilizados na pintura e na tinturaria. Do azul romântico e melancólico, ao azul político e revolucionário, usado pelos soldados da Guarda Nacional parisiense e adotado pelas milícias apoiantes da Revolução, esta é a cor dominante do vestuário do século das luzes, só cedendo lugar ao preto no século 19. Depois, a partir de 1910, a tendência volta para o azul, cujo tom marinho conquista a generalidade dos uniformes, alastrando-se ao vestuário civil, alcança finalmente a primazia, revelando-se desde a 1ª Guerra Mundial a cor preferida do mundo Ocidental.

Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas