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Com o objetivo de proporcionar uma maior rotatividade das coleções, o Museu Etnográfico da Madeira dá continuidade ao projeto denominado “Acesso às coleções em Reserva”, sendo apresentada, semestralmente, uma nova temática.
Neste segundo semestre o museu divulga uma tradição ancestral, subjacente a um saber-fazer que faz parte do nosso património cultural material e imaterial, e que representa uma herança cultural, passada de geração em geração.
Trata-se dos elementos figurativos, colocados nos extremos dos beirais e nas cumeeiras, popularmente conhecidos como “remates de telhado” e que representam um importante testemunho da arquitetura popular madeirense. Apresentam um figurado variado, inspirado em figuras antropomórficas, em animais, em figuras naturalistas ou estilizadas.Segundo alguns autores, estes elementos têm as suas raízes em superstições e presságios, sinais de cultos pagãos, que tinham como função espantar o efeito maléfico dos seres sobrenaturais, funcionando como figuras protetoras do lar e das pessoas que nele habitam.
Introduzidos na arquitetura madeirense pelos colonizadores, vindos de Portugal Continental, a sua colocação nos telhados madeirenses tornou-se uma constante nas habitações construídas em finais do século XIX e durante o Séc. XX, caindo em desuso no final do mesmo século. Esta tradição adquiriu, na Ilha da Madeira, uma maior expressão e longevidade do que no seu território de origem.
Os remates de telhado eram confecionados essencialmente em barro, embora existissem alguns em cimento e, inicialmente, eram modelados, à mão, pelos oleiros. Devido à sua grande procura, as olarias passaram a utilizar, mais tarde, moldes em gesso, permitindo a produção em série destes artefactos. A última olaria a laborar na Ilha da Madeira e a produzir estes remates de telhado, foi a Antiga Olaria do Lazareto, sediada no concelho do Funchal. Alguns desses moldes, utilizados por aquela unidade fabril, fazem parte do acervo do museu e estão patentes ao público nesta exposição. Será também apresentada a coleção de remates de telhado do museu e algumas peças de coleções particulares.

A exposição estará patente ao público de 21 de julho a 5 de dezembro de 2020.
Entrada livre.
 
Créditos: Museu Etnográfico da Madeira

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