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As Coleções do Museu Etnográfico da Madeira. 
O dia 15 de janeiro, para além de ser designado como Dia de Santo Amaro, é também conhecido como o “dia de varrer os armários”, tradição secular que encerra, de forma geral, no arquipélago da Madeira, os festejos de Natal, conservando o povo a árvore e o presépio até este dia, quando são dados por findos os festejos de Natal. Excecionalmente, em algumas freguesias da ilha os festejos encerram mais tarde, perdurando até as festas religiosas de Santo Antão ou de São Sebastião, comemoradas nos dias 17 e 20 do mesmo mês.
Antigamente, toda a família reunia-se neste dia para assistir ao desarmar do presépio e, na véspera, o povo andava de porta em porta, cantando ao som dos instrumentos tradicionais, quadras alusivas a este Santo. Munidos de uma vassoura, para “varrer os armários”, batiam às portas e entravam, entoando os cânticos, e serviam-se de vinho, licores, doces ou, mesmo, fruta da lapinha, repetindo-se este ritual em todas as casas.
No sítio da Achada, freguesia e concelho da Ribeira Brava, além da vassoura levavam uma figura antropomórfica, em maçapão, representando o Santo Amaro, o qual era colocada num cesto ou numa caixa, ornamentada com flores. Apesar de possuir muitos anos de tradição, este ritual parece ter sido pouco usual no arquipélago, só se conhecendo testemunhos da sua prática, neste concelho.
O costume de representar um Santo numa figura de maçapão, ou partes do corpo humano, é comum em diferentes regiões da Europa. Em Portugal, este ritual também aparece nas comemorações de diferentes festividades, nas quais o pão tem um papel preponderante.
As festas de inverno são festas propiciatórias e profiláticas. Para o homem agrário há que apelar à renovação da natureza e à fertilidade, possuindo o pão uma simbologia especial, motivo pelo qual este ocupa um lugar central, nos rituais e cerimónias. Este simboliza, essencialmente, a prosperidade e a fertilidade. Trata-se da associação de um ato religioso - a comemoração do santo - a um ritual profano - o apelo à fertilidade, para o novo ciclo agrário.
Na Madeira, o “boneco de Santo Amaro” como é popularmente designado, era confecionado pelas mulheres, na unidade doméstica. As mãos femininas modelavam, habilmente, estas figuras, verdadeiras peças de arte popular, utilizando a massa de pão, como matéria-prima.
Por tradição, nos dias que precediam o Natal a azáfama era grande em volta do forno. Ali eram cozidos o pão e os doces para a Festa. Este ritual prolongava-se durante toda a festividade, utilizando-se depois o “rolão”, que guardavam do Natal, para a confeção desta figura, naquela data.
Natália Casquilho mantinha a tradição, que permanecia na sua família há várias gerações e recordava-se que a sua avó fazia um boneco para cada neto.

Numa recolha de campo que o museu efetuou em 2010, confecionou esta figura antropomórfica, em maçapão,para oferecer ao Museu Etnográfico da Madeira. Em 2016, o museu propôs à artífice, fazer esta réplica da figura, em pasta de modelar, para garantir a sua conservação no acervo, visto que a figura de maçapão é facilmente degradável, garantindo, assim, a salvaguarda deste artefacto simbólico, do ritual da festividade do Santo Amaro.

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