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As Coleções do Museu Etnográfico da Madeira. 
Do Mestre João José Nóbrega Fernandes. 
Possuindo a ilha um denso arvoredo, desde o início da colonização que o povo recorreu a esta matéria-prima, que o ambiente colocou à sua disposição, para a construção de inúmeros artefactos utilitários, decorativos, lúdicos ou religiosos.
A manufatura de mesas, cofres, caixas e outros artefactos em madeira embutida foi uma das atividades que surgiu com a exploração das madeiras e que teve uma expansão e expressão significativa na ilha da Madeira.
Desconhece-se a data em que se terão começado a fazer este tipo de peças, mas remontam pelo menos ao século XVII a notícia da existência de embutidores na ilha e conhecem-se trabalhos artísticos, com muita qualidade, executados por mestres deste ofício que, habilidosamente, utilizavam as madeiras indígenas.
Os embutidos madeirenses ganharam caraterísticas específicas, essencialmente pela rica oferta de espécies da flora endémica da ilha, que sempre forneceram aos artífices, através do seu âmago ou do seu cerne, os vários tons necessários à ornamentação das suas peças.
Mas embora hajam notícias da arte de embutir já nos séculos XVII e XVIII, o seu período áureo parece ter sido na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, época na qual foram concebidas obras com muita qualidade, sendo de realçar os trabalhos apresentados em 1850 na “Exposição Industrial Madeirense” e os trabalhos concebidos na oficina de embutidos da Escola Industrial António Augusto de Aguiar, onde se formaram grandes mestres. Um desses mestres, que frequentou a então Escola Comercial e Industrial do Funchal, Mário Abreu, terá dado continuidade a esta arte, no antigo Instituto do Bordado e Tapeçaria da Madeira, atual Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira.
João José Nóbrega Fernandes, um amante de madeiras, exerceu a profissão de carpinteiro desde 1957 e trinta anos depois inicia-se na arte de embutir. Em 1978 frequentou o curso de encarregado de construção civil e em 1983 fez um estágio de marcenaria e entalhes de madeira na Fundação Ricardo Espírito Santo, em Lisboa. Em 1987 frequentou dois cursos de embutidos promovidos na Junta de Freguesia de São Pedro e pelo Departamento Técnico do Instituto do Bordado e Tapeçaria da Madeira (IBTAM), ambos ministrados por Mário Gonçalves Abreu e será, depois, o Mestre Nóbrega, como era conhecido, a dar continuidade ao ensino deste ofício no mesmo Instituto.
Foi autor de obras de grande qualidade, entre as quais se destacam uma caixa oferecida pela Região Autónoma da Madeira a sua Santidade o Papa João Paulo II, uma mesa circular existente no Museu da Câmara Municipal do Funchal e diversos Brasões de Armas da Cidade, existentes na Câmara Municipal do Funchal e no Museu do Bordado, tutelado pelo Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM).
Possuiu uma oficina de embutidos na chamada zona velha da cidade e ministrou vários cursos no antigo IBTA. Foram seus discípulos Sílvio Cró, Susana Ornelas e Luz Ornelas, dando, esta última, atualmente, continuidade à arte, no Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira.
Algumas das suas obras, fizeram parte de exposições temporárias, apresentadas ao público, nos anos 90 do século passado, no Museu Etnográfico da Madeira.
Esta mesa, de pé de galo, da sua autoria, em madeira de til, com embutidos em madeira de urze, buxo e perado, faz parte do acervo do museu.

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