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Festas e Romarias da Madeira. 
No âmbito do projeto desenvolvido no Museu Etnográfico da Madeira e do qual resultou uma exposição temporária e a edição, em 2019, do livro “Festas e Romarias da Madeira” (o Nº3 da nossa coleção “Cadernos de Campo”, premiada com o Prémio APOM 2019, na categoria de Investigação), o museu decidiu partilhar, nas suas páginas das Redes Sociais, diferentes álbuns, com imagens que fazem parte dessa obra.
Em 2020 partilhámos várias festas, de todos os concelhos, procurando assinalar alguns aspetos que as caraterizavam.
Estamos, agora adivulgar alguns artefactos, relacionados com os rituais profanos e religiosos destas festas. Esta semana, divulgamos o traje das "saloias do Espírito Santo".
Em todas as freguesias da ilha, a partir do Domingo de Páscoa, é costume, aos Domingos, realizarem-se as "visitas do Espírito Santo", aos domicílios e aos estabelecimentos comerciais, pelo padre e por um grupo de paroquianos.
Neste grupo, destacam-se as "saloias", cujos trajes são, provavelmente, reminiscências de antigas práticas da Estremadura, trazidas pelos primeiros colonos.
Trajam, usualmente, vestido branco ou uma camisa branca e uma saia listrada, com as cores vermelha, amarela, azul, branca e verde.
Por cima da camisa vestem um colete ou corpete vermelho e levam, ainda, uma capa de cor vermelha, feita de tecido felpudo de lã, a “baeta”, curta, debruada e com recortes em bico, colocada sob o ombro esquerdo, atravessando o peito e as costas e pendurada à direita, na cintura.
A cor branca e a vermelha simbolizam o Espírito Santo: o branco é o símbolo da pureza e da paz e o vermelho, o símbolo do fogo.
Folhas de alegra-campo decoram a saia e a capa, como anunciação da Primavera. A capa é ainda, ornada com ouro. Na cabeça levam uma “carapuça”, dourada, ornamentada com cordões de ouro e ostentam colares no pescoço, sendo as joias emprestadas pelos paroquianos.
O hábito de usar muitas joias provém também das tradições minhotas e constitui um símbolo do trabalho e de riqueza destas mulheres.
Transportam, ainda, um cesto de vimes, decorado com flores, no qual colocam pétalas para distribuir e doces ou pequenos presentes, oferecidos pelos paroquianos.
Acompanhadas por tocadores, entoam cânticos alusivos a esta festividade, à entrada e saída das casas, e distribuem estas pétalas de flores, em gesto de agradecimento pelas oferendas.

Créditos: Museu Etnográfico da Madeira

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