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Festas e Romarias da Madeira. 
No âmbito do projeto desenvolvido no Museu Etnográfico da Madeira e do qual resultou uma exposição temporária e a edição, em 2019, do livro “Festas e Romarias da Madeira” (o Nº3 da nossa coleção “Cadernos de Campo”, premiada com o Prémio APOM 2019, na categoria de Investigação), o museu decidiu partilhar, nas suas páginas das Redes Sociais (Facebook e Instagram) diferentes álbuns, com algumas imagens, que fazem parte dessa obra.
O museu partilhou, online, o ano passado, diferentes festas, de todos os concelhos, procurando assinalar alguns aspetos que as caraterizavam.
Iremos, agora, divulgar alguns artefactos, relacionados com os rituais profanos e religiosos das festas e romarias.
Poderá encontrar mais informação sobre as festas no Portal dos Museus, ou poderá consultar o livro, que está disponível nas lojas do museu e da Direção Regional da Cultura.
Esta semana, divulgamos a bandeira da Ordem de Cristo".
Após o processo de extinção da “Ordem dos Templários", pelo papa Clemente V, este ordenou que, em toda a cristandade, os bens fossem entregues aos Hospitalários. O rei D. Dinis I de Portugal não obedeceu, anexando, provisoriamente, os seus bens à coroa e iniciou diligências, junto da Santa Sé, para a criação de uma nova milícia religiosa, alegando a necessidade de defender Portugal dos mouros, que viviam nas fronteiras do reino, no Norte de África e no Andaluz.
Os cavaleiros Templários tiveram um papel importantíssimo na unificação do território português, recebendo, pelos serviços prestados, terras e castelos, não querendo o rei que fossem entregues, à igreja, os seus bens.
Em 1319, o Papa João XXII atendeu aos pedidos do rei e criou a “Ordem Militar de Jesus Cristo” ou “Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo”, à qual foram atribuídos os bens e privilégios, da extinta ordem templária portuguesa. Esta ordem adotou um símbolo semelhante à dos Templários: uma cruz branca, envolta numa outra, vermelha.
As vestes dos cavaleiros eram brancas, com a cruz vermelha, mas a sua aparência era algo diferente: enquanto a cruz da Ordem do Templo tinha os braços curvos, a da Ordem Militar de Cristo, tem os braços direitos, com serifas nas extremidades, e branco no centro, cor que personificava fé, pureza, e acolhimento. Tratava-se de uma ordem régia, esta disposição de uma cruz grega, por cima da cruz vermelha. Na verdade, a cruz da Ordem de Cristo, não é uma, mas sim duas.
Os ideais da expansão cristã reacenderam-se no século XV, quando o Infante Dom Henrique, administrador e governador da “Ordem de Cristo”, investiu os rendimentos da ordem para construir as naves e usou os conhecimentos dos cavaleiros templários, na exploração marítima pois, além de guerreiros, eram exímios navegadores, tendo utilizado os seus conhecimentos de rotas marítimas desconhecidas. É com o Infante, que muitos navegadores se tornam cavaleiros da “Ordem de Cristo”, como foi o caso de João Gonçalves Zargo e Tristão Vaz Teixeira, descobridores da Madeira.
O Papa demonstrou grande interesse pelos Descobrimentos, concedendo aos reis de Portugal e Espanha, através do Tratado de Tordesilhas, a divisão do mundo em duas partes, com a finalidade de lutarem contra os inimigos da fé e converterem os povos, das terras descobertas, à fé cristã, ficando a Ordem de Cristo com a tutela do processo de edificação da Igreja nos novos territórios.
O emblema da ordem, passou a ser um elemento emblemático nos monumentos ligados aos Descobrimentos, símbolo da fé cristã. A Cruz também adornava as velas das caravelas e naus, que exploravam os mares desconhecidos, pelo que a bandeira da Ordem de Cristo continua presente nas bandeiras das instituições e nos emblemas de Portugal e marcam presença nas decorações das festas religiosas do Arquipélago da Madeira.

BIBLIOGRAFIA:
CORTESÃO, Jaime, Os Descobrimentos portugueses, Edição Arcádia, Lisbo, sd.
FRANCO, José Eduardo, Templários e a sua metamorfose portuguesa: A Ordem de Cristo, Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2012.
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