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Madeira policromada e dourada, Portugal, século 18. 
Escultura que representa uma figura religiosa feminina, presumivelmente Santa Ana. Santa Ana, mãe de Nossa Senhora e avó de Jesus, era casada com São Joaquim. O seu nome vem do hebraico “Hanna” e significa “graça”. É a Santa protetora dos escultores, das avós, entre outros, e o seu culto na igreja do ocidente remonta ao século 16, sendo a sua festa assinalada a 26 de julho.
Usualmente Santa Ana é representada na companhia de Maria, ainda menina, ensinando-a a ler, no entanto, podemos encontrá-la sozinha com o livro “sagrado” na mão, aberto ou fechado, como é este o caso. O livro representa os ensinamentos - a “Lei de Deus”, os mandamentos - transmitidos a Maria, e a mão direita sobre o peito simboliza a fonte de inspiração, o coração.
Esta escultura de vulto pleno, do período barroco (séculos 17 a 18), é de madeira dourada e policromada. A sua indumentária, onde o vermelho sobressai, é decorada com motivos florais e folhas de acanto, de modo a imitar os ricos brocados da época.
A técnica decorativa utilizada para esse efeito consiste na aplicação de folha de ouro sobre a superfície a dourar chamada “aparelho”, por ser o resultado de uma preparação em camadas. O processo começava com a impermeabilização da madeira com cola animal, seguindo-se a aplicação das sucessivas camadas de gesso ou cré aglutinado com cola de coelho, e por fim o revestimento com um preparado vermelho, o bolo arménio. Este era um composto de argila rica em óxidos de ferro e misturada com cola animal, que proporcionava uma superfície polida, adaptada à aplicação da folha de ouro. Toda a decoração era depois delineada sobre a folha de ouro, através da técnica de cinzelagem com punção. Seguiam-se a as cores - maioritariamente vermelho no manto, algum verde no véu e castanho na túnica interior – cuja pintura era posteriormente riscada (esgrafitada) para remoção da tinta, deixando à vista o ouro, enriquecendo o padrão.
A cor vermelha dominante nesta peça, podia ser obtida a partir de um corante animal (o quermes e a cochinilha - insetos parasitas), de um corante vegetal (a garança) ou de um pigmento de natureza mineral à base de mercúrio, designado de cinábrio na sua versão natural e de vermelhão na sua versão manipulada.
Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas
santana