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Fio de lã e algodão.
Grã-Bretanha, Paisley, 1850-70.
Do Álbum "Cores que fazem Sentido" da Casa-Museu Frederico de Freitas.
Grande xaile retangular cuja decoração segue um esquema simétrico, em que o campo principal se desenvolve à volta de um centro negro, numa profusão de ramagens, palmetas, enrolamentos vegetais e flores. Enquadram esse campo duas barras, uma mais larga com o fundo de motivos vegetais e florais estilizados por onde correm linhas sinuosas, brancas com florinhas, desenhando formas trilobadas e outra, formando uma orla estreita, de motivos miúdos inscritos em cercaduras curvas. As extremidades terminam com uma faixa de motivos florais enquadrados por arcos polilobados de diferentes feitios e cores, que se alternam, e são rematadas por franja.
Prevalece o vermelho nesta complexa composição decorativa, conseguida a partir de mais cinco cores, o laranja, o verde claro, o verde escuro, o branco e o preto. O vermelho usado na tinturaria dos fios era conseguido a partir de dois tipos de corantes, a cochonilha usada preferencialmente no tingimento da lã e a garança empregue para colorir o algodão.
A origem deste tipo de xaile liga-se aos magníficos e requintados xailes de Caxemira, importados da Índia para a Europa desde 1770. A partir de 1800 torna-se o acessório de luxo e da moda, apreciado por destacadas figuras femininas, como a imperatriz Josefina, mulher de Napoleão I, que se fizeram retratar por afamados pintores, envoltas nos seus exóticos e coloridos xailes indianos. Após 1820 o seu comércio aumenta consideravelmente, como também se intensifica o esforço para a sua reprodução na Europa. Primeiro em França e depois na Grã-Bretanha, em Norwich e principalmente na cidade escocesa de Paisley a produção especializada destes têxteis atinge um grande sucesso e se não consegue alcançar a qualidade indiana, pela dificuldade de igualar a lã de Caxemira, bate grandemente o seu preço, muito mais acessível sobretudo após a adoção do tear de Jacquard, cujo sistema mecânico permite reproduzir facilmente os intricados padrões orientais e tecer peças de maiores dimensões.
A adoção dos vestidos rodados sobre as amplas armações de crinolina, tão em voga nos meados do século 19, veio intensificar o uso destes xailes que se tornam cada vez maiores, chegando a ultrapassar os 3,30 metros de comprimento por 1,50 de largura. Na Grã-Bretanha, com o intuito de proteger e incentivar a produção nacional, a Rainha Vitória encomenda uma série de xailes de Paisley, o que desencadeou um aumento da procura. O apuro técnico e a intensificação da produção alcançados em Paisley, levaram ao aperfeiçoamento das tinturarias locais e, não obstante se continuarem a importar fios tingidos, cada vez mais se tingia localmente. Os escoceses dominaram particularmente a cor vermelha, cujo tom mais vivo, conhecido por vermelho da Turquia, obtido a partir da garança, se tornou especialmente popular na coloração dos tecidos de algodão, posteriormente estampados. E será precisamente a disseminação da estampagem na decoração dos xailes, a vulgarização do padrão decorativo, o seu baixo custo e a sua disseminação pelas classes mais desfavorecidas, bem como as alterações do traje feminino ocorridas a partir de 1880, que ditaram o fim de um século da moda dos xailes de Caxemira e de Paisley.
Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas
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