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De António Aragão.
Desenho à pena, aguarelado sobre cartão.
Madeira, 1965.
O Bailinho da Madeira faz parte da memória de todos os madeirenses, mas também do património musical e imaterial da R.A.M, pelo que este desenho ilustra a nossa identidade, cultura e tradição. António Aragão, polifacetado intelectual madeirense que se distinguiu como historiador, poeta, escultor e pintor, é o autor desta composição expressiva e dinâmica conseguida a partir de um traço estilizado, rápido e assertivo. Nela predominam os tons quentes do traje das viloas, onde o vermelho se destaca nas saias riscadas, nos corpetes e nas capas, com cabeção de bicos debruados. Surge também nos detalhes laterais das carapuças e nos debruns das botas-chã das figuras representadas.
Nas variantes do traje regional feminino, sobressai o da Camacha e/ou da Ponta de Sol, composto por uma saia listrada, com fundo vermelho, de tecido de linho e lã confecionados na Ilha; um colete, por norma bordado, e uma capa de baeta de lã, ambos vermelhos, usados sobre a blusa branca de linho. A carapuça, por norma azul, era realizada com baeta forrada a vermelha. Tanto as mulheres como os homens calçavam bota-chã, feita pele de cabra, de cano curto dobrado e debruado com marroquim vermelho.

A cor vermelha dos tecidos era obtida a partir da “ruivinha”, garança ou ruiva-dos-tintureiros, planta que existia em abundância na Ilha. O seu nome vem do latim ruber, que significa vermelho, devido à cor da raiz. Esta, quando fermentada, produz um forte pigmento vermelho que serve para tingir tecidos. O tingimento com a ruiva permitia obter tecidos de um vermelho intenso, também conhecido por “vermelho da Turquia”.
Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas

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