LogoCmadeira2020

LogoSRTC2020

PT EN
Faiança.
Holanda, ca. 1610-1630.
Azulejo de figura avulsa policromo pintado nas cores azul, verde e laranja sobre branco. Apresenta ao centro uma estilização de um vaso florido (albarrada) e os cantos são decorados com motivo de “folha de carvalho”.
Figura avulsa define um tipo de azulejo pintado com um desenho único, que se lê e compreende por si só. O único elemento de ligação com os azulejos anexos, quando existe, é o motivo do canto. Ao contrário dos azulejos de padrão que se organizam em composições com um mínimo de 4 azulejos e se adequam a revestimentos mais extensos, os azulejos de figura avulsa podem ser aplicados em áreas diminutas, como um rodapé ou um friso de lareira.
Essa característica explica a sua popularidade na Holanda, onde na primeira fase da produção, cerca de 1570, se privilegiava a azulejaria de padrão, polícroma, muito próxima dos modelos flamengos e italianos, usados em pavimentos. Esse período e até cerca de 1630, é próspero e assiste-se ao enriquecimento das alta e média burguesias, à migração para as cidades e à construção de novas casas, onde se generaliza o uso azulejo. Num país repleto de canais, onde os problemas de humidade eram comuns, o azulejo foi considerado o revestimento ideal pelas suas qualidades de impermeabilidade e fácil limpeza. A proliferação dos azulejos de figura avulsa está ligada ao seu uso nas habitações da classe média onde eram aplicados na “casa de dentro”, divisão, mais ampla que reunia a sala de estar e a cozinha. Usavam-se para cobrir pequenas áreas, como os lambris das paredes, as lareiras, os rodapés e as escadas, locais onde a tipologia de figura avulsa melhor se adapta.
Até 1630 predomina a policromia, nomeadamente o azul, o amarelo, o laranja, o verde e o manganês, sobre fundo branco. Este limitado reportório de cores era obtido a partir de óxidos metálicos derivados de minerais. Nomeadamente os tons de laranja e acastanhados provinham de minerais ricos em óxido de ferro, como o ocre e a terra úmbria. A partir de 1625 os gostos alteram-se e as preferências recaem sobre os azulejos monocromos, especialmente de cor azul. A policromia mantém-se apenas nas zonas rurais, mais atrasadas do interior, com tendência ao desaparecimento após 1650 e só renascerá anos mais tarde, com diferentes características.
As flores foram sempre um tema popular na pintura de azulejos nos Países Baixos. Primeiro surgem dispostas em vasos, evocando os modelos renascentistas, e depois, a partir de 1600 multiplicam-se em representações de diferentes espécies, das mais diversas origens. Esta manifestação genuinamente holandesa, difunde-se a par dos tratados de botânica, repletos de imagens de plantas e flores, que se publicam no século 17 e fomentam o estudo e o cultivo das plantas da Europa e Além-Mar. Nesse âmbito impossível não focar a importância da túlipa, flor símbolo do País e que se distingue, dominando todas as outras nas diferentes formas de expressão artística.
Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas
fianca