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Cobre e latão.
Alemanha, WMF (Württembergische Metallwarenfabrik AG), ca. 1914.
Jarro Arte Nova em cobre, de corpo hexagonal, mais largo na parte inferior e tampa do mesmo formato, com pega e asa de latão. Todas as faces são decoradas em baixo relevo, com o mesmo motivo vegetalista estilizado que se estreita e alonga no centro, para se desdobrar em elegantes linhas curvas entrelaçadas, em ambas as extremidades. A asa retoma as formas vegetalistas, esguias e ondulantes e é vazada, tal como a pega no topo da tampa, mais simples e arredondada. As linhas elegantes e sóbrias valorizam este modelo, cuja a matéria de um suave e belo tom alaranjado é um fator de beleza acrescentado.
Foi produzido na fábrica alemã WMF (Württembergische Metallwarenfabrik) que na viragem do século 20 se torna uma das maiores exportadoras mundiais de artigos utilitários de mesa, em metal. A fábrica teve a sua origem na empresa “The Straub & Schweizer” fundada em 1853, vocacionada para a reparação de objetos de metal, apesar de logo no ano seguinte apresentar os seus primeiros artigos na Feira Industrial de Munique. Após um período de contínuo crescimento, algumas aquisições, fusões e abertura de sucursais na Alemanha e no estrangeiro, em 1880 a então Strab & Son funde-se com a fábrica de artigos de metal Ritter & Co, dando origem à WMF AG que ainda hoje se mantém em atividade. Esta empresa é especialmente afamada pelos seus artigos no estilo Jugendstil, versão alemã e austríaca do estilo Arte Nova, relativo ao período em que o escultor e designer Albert Mayer, foi seu diretor, entre os anos de 1884 e 1914.

A Arte Nova é um estilo eclético surgido na Europa, no início dos anos 90 do século 19, e que sobreviveu sensivelmente até à 1ª Grande Guerra. Assumiu características múltiplas e manteve especificidades próprias nos diferentes países do mundo ocidental, nomeadamente na França, Grã-Bretanha, Alemanha, Áustria, Itália, Espanha, Rússia e Estados Unidos. Atinge o seu auge na Grande Exposição Internacional de Paris, em 1900. Desenvolveu-se numa época de maior desafogo económico e de grandes mecenas, a chamada “Belle Epoque” que cultivou novos valores estéticos em diferentes campos artísticos, viabilizou e valorizou o design, o trabalho especializado, moroso e artesanal, não obstante o seu preço elevado. O passado, como fonte de inspiração, revela-se através da reinterpretação, estudo e aperfeiçoamento das técnicas ancestrais das civilizações islâmicas e orientais no trabalho dos diferentes materiais, através das artes do fogo, dos metais, vidro e cerâmica, ou das artes gráficas. A natureza torna-se uma verdadeira obsessão e os motivos vegetalistas, vivos e orgânicos, parecem emanar vida própria e, sem restrições, desafiam regras estabelecidas, crescendo em formas que se contorcem soltas e indomáveis, lançando belas linhas curvas repletas de movimento
Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas

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