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Faiança.
Portugal, séc. 17-18 (transição).
“Alminhas".
No cristianismo primitivo só havia Céu e Inferno, a ideia do Purgatório só surgiu na Idade Média, o purgatório foi proclamado no século 13 dogma fundamental da igreja católica. Assim passou a haver um estado intermédio para as almas, um local onde durante algum tempo as almas ficariam a purificar, para sua salvação.
Este culto inspira-se num legado das civilizações clássicas de Roma e da Grécia, que nas suas caminhadas erguiam monumentos junto às estradas para devoção aos seus deuses. O cristianismo adotou este procedimento, erguendo cruzeiros e outros símbolos religiosos. Era costume ao passar por estes marcos fazerem-se orações pelas almas.
A devoção aos Santos que intercediam pelas almas, significava um tempo de espera mais curto no purgatório e um meio mais rápido de chegar a Deus e ao Céu.
Os painéis de azulejos com alminhas encontram-se no interior de capelas, igrejas, fontes, fontanários e pontes. A água tinha o papel de refrescar as almas que ardiam nas chamas do purgatório.
A vulgarização deste tipo de azulejos nas fachadas com a invocação das almas do purgatório, denominadas de alminhas, tornaram-se comuns durante o século 18. Mostravam representações envoltas em chamas geralmente acompanhadas de legenda ou siglas, como P.A. (pelas almas), P.N. A.M. (Pai Nosso, Avé Maria) ou O.P.N. (ora pro nobis), que imploravam uma oração a quem por elas passava. Este tipo de azulejos era de custo modesto o que contribuiu para a sua popularidade.
As alminhas por vezes acompanhavam os registos dos santos aparecendo na zona inferior. Podem surgir como azulejos isolados, soltos, ou em conjuntos de quatro azulejos apenas com um contorno retilíneo. Representam as almas de mãos postas, envoltas em chamas, aparecem pintadas a azul e branco, mas também policromas com as chamas pintadas a amarelo.
A Casa-Museu Frederico de Freitas possui um exemplar do século 17 em tons de azul e amarelo sobre branco. No Funchal existem ainda outros dois exemplares, um no claustro do Convento de Santa Clara (1750) e outro sobre a porta da entrada da Capela das Almas (1783).
Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas
alminhas