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Faiança.
Lisboa, Portugal, séc. 18.
Os primeiros azulejos de figura avulsa portugueses são policromos com contornos a manganés e datam do 3º quartel do século 17. Inspirados no modelo holandês que circulava por toda a Europa, chegam a Portugal em meados desse mesmo século, com maior afluência entre finais do século 17 e a primeira década do 18, existindo inicialmente nas zonas portuárias do país como são o caso de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Viana do Castelo, espalhando-se depois por todo o território nacional.
Este tipo de azulejo foi muito popular em Portugal durante o século 18, sendo muito apreciado pelas classes menos abastadas devido ao preço acessível e de fácil colocação. Surgem azulejos deste tipo na ilha da Madeira, nos Açores, no Brasil e em São Tomé. Os temas são variados e pintados de uma forma um pouco grosseira e ingénua, e a sua aplicação destinava-se geralmente a espaços secundários, como corredores, lareiras, cozinhas e sacristias.
O Eng. Santos Simões, refere que possivelmente muitos destes azulejos seriam pintados por mão-de-obra infantil nas oficinas especializadas. Salienta, no entanto, que não se trata da criação artística, mas apenas delineavam o motivo já desenhado na superfície do azulejo. Os desenhos eram quase sempre muito desiguais devido às pequenas imperfeições de traço dos diferentes pintores que os executavam. Os cantos mais utilizados eram a flor-de-lis e o aranhiço que se transformou nas “estrelinhas” ornato este mais simplificado e muito utilizado na época de D. João V.
Consoante o seu centro de fabrico o azulejo adquiria características próprias que o diferenciava, como é o caso dos cantos de estrelinhas mais oriundos das oficinas de Lisboa, embora também existissem em Coimbra. No Porto a pintura é em geral num tom de azul mais escuro e em Coimbra o desenho ocupava quase toda a área do azulejo.
No início do século 18 surge um modelo com figuras humanas ou fantásticas de perfil, com uma flor na boca, que preenchia a totalidade da superfície do azulejo sem decoração nos cantos. Mas o desenho que mais se difunde é o de motivos florais.
Constituído por uma figura ao centro, com ou sem decoração nos cantos, pintado a azul sobre branco, incluía temas como: casas, torres, moinhos, cestos com flores, pássaros, frutos, gatos, peixes, patos, embarcações e paisagens. No entanto, existem alguns motivos mais raros como por exemplo damas de leque, fumadores de cachimbo, espadachins, figuras chinesas e frades. Na primeira metade do século 19 foram produzidos azulejos de figura avulsa associando estampilhas com a pintura manual na fábrica de Miragaia, com carácter mais caricatural e político com os tipos populares da época das lutas liberais.
Na Casa-Museu Frederico de Freitas exibem-se alguns painéis desta época em exposição na Casa dos Azulejos.
 
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