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Faiança.
John Moyr Smith (1839-1912).
Minton China Works, Inglaterra, ca. 1876.
Quem diria que esta personagem da Grécia antiga destacada sobre um cativante fundo azul, representava um toque de modernidade nos interiores vitorianos do século 19. Azulejo estampado com figura clássica tocando pandeireta, nas cores azul ciano, castanho e bege sobre branco. Apresenta ao centro, no medalhão circular, um homem delineado a castanho sobre branco, de cabelos e barbas encaracolados, coroa de folhas na cabeça, trajando túnica de gola trabalhada e envolto num manto, com motivos em espiral e orla de grega. A figura recorta-se sobre o fundo azul com ramagens floridas brancas, sentada entre artefactos gregos, segurando a pandeireta e com uma vara de ponta lanceolada e fita amarrada, apoiada na perna. Enquadra este medalhão uma moldura de fundo bege sublinhada nas bordas por linhas castanhas que nas esquinas e aos lados formam motivos estilizados. A assinatura do autor “Moyr Smith” surge à esquerda, sob o vaso, junto ao friso geométrico.
Este exemplar pertence à série intitulada “figuras clássicas tocando instrumentos musicais”, formada por 8 azulejos distintos, correspondendo a cada um, uma personagem e um instrumento musical diferente, designadamente: “Tambourine” (pandeireta), “Sistrum” (sistro), “Lute” (alaúde), “Pandean Pipes” (flauta de pã), “Double Flute” (flauta dupla), “Keltic Harp” (harpa céltica), “Cymbals” (címbalos) e Kithara (cítara). Foi criada cerca de 1876, por John Moyr Smith para a “Minton China Works”. O conjunto podia ser completado por um friso próprio, coordenado, de motivos vegetais estilizados. Foi uma das séries mais difundidas, produzida em pelo menos 4 cores diferentes, cujos azulejos foram aplicados em diversos tipos de objetos, como cadeiras, fogões de sala em ferro fundido, lavatórios, floreiras e outros. A sua popularidade foi tal que o desenho acabou por ser reproduzido noutros suportes como o vidro pintado ou o couro gravado usado em mobiliário.
John Moyr Smith, escocês, nasceu em Glasgow, em 1839, iniciou a sua formação como arquiteto, frequentou a Escola de Artes na sua cidade natal e mudou-se para Manchester, em 1864, como assistente do arquiteto Alfred Darbyshire (1839-1908). Dois anos mais tarde transfere-se para Londres, onde desenvolve atividade profissional no âmbito das Artes Decorativas, como ilustrador, decorador de interiores, editor e designer de mobiliário, cerâmica, vitrais, objetos de metal e papel de parede, colaborando com as mais diversas empresas. A maior contribuição de Moyr Smith para a “Minton China Works”, estabelecida em Stoke-on-Trent, Staffordshire, foi na produção de azulejos figurativos estampados. Revelou-se um aliado de sucesso e a sua primeira colaboração aconteceu em 1872, com a série “Old Testament” (Antigo Testamento), prolongando-se a ligação por cerca de 20 anos, entre 1872 e 1892, através da criação de mais de 18 novas séries, correspondendo a cada uma, entre 8 a 24 desenhos diferentes. Os seus azulejos eram maioritariamente figurativos de inspiração revivalista, nomeadamente clássica e medieval, abordando temáticas variadas, como a mitologia, figuras alegóricas, grandes autores do passado, história da Inglaterra, atividades agrícolas e industriais, contos de fadas, cantigas infantis, temas bíblicos e literários de Shakespeare, Scott James Thomson (1700-1748) ou Sir Walter Scott (1771-1832).
Vários fatores como a evolução técnica, as alterações sociais e da moda determinaram a rápida expansão da indústria cerâmica na Inglaterra da segunda metade do século 19. Nesse âmbito a “Minton” foi sem dúvida uma empresa em destaque, pela sua rápida adaptação às novas tecnologias de produção massiva de azulejos, nomeadamente a calibragem e a estampagem, o que lhe permitiu abastecer uma clientela da classe média cada vez mais vasta, com produtos a preços muito competitivos que associavam a produção artística e industrial. De fato no final do século 19, a grande maioria das casas cuja decoração seguisse a moda, apresentaria azulejos no seu interior, estivessem eles nas paredes, em lareiras, no mobiliário ou em peças decorativas.
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