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"A LAPINHA DO CASEIRO - Conheça as diferentes personagens", é a nova rubrica, online, partilhada pelo Museu Etnográfico da Madeira, para dar a conhecer algumas peças da nova coleção que passou a integrar o acervo do museu e que está à disposição do público.
Para poder conhecer este valioso património, na íntegra, faça uma visita ao museu e fique a conhecer a Nossa/Sua Identidade Cultural!
A Lapinha do Caseiro foi um dos mais célebres presépios da Ilha. O seu autor Francisco Ferreira, nasceu na freguesia do Monte, a 11 de outubro de 1848. Herdou o ofício de carpinteiro e a alcunha do seu pai, que era antigo caseiro do Monte, zelando por terrenos pertencentes às religiosas do Convento de Santa Clara.
Artista autodidata, cedo começou a talhar a madeira, esculpindo desde os 14 anos. Tornou-se santeiro de profissão. Iniciou o presépio na sua juventude e nele trabalhou até morrer, em 1931, tinha então 82 anos. Usava madeira de cedro e raramente fazia uma figura de uma só vez, preferindo ter várias entre mãos. Francisco Ferreira não tinha instrução, era a sua mulher e, mais tarde, a sua filha que lhe liam passagens do Antigo e do Novo Testamento. Assim se inspirava para melhor interpretar e executar os vários episódios bíblicos que ia introduzindo no seu Presépio, identificados por legendas semelhantes às que se podem ver na exposição, cujos termos se mantiveram como na versão original.
Em relação aos pastores, são figuras ingénuas ou caricatas que retratam a sociedade urbana e rural madeirense, espelhando lides e ofícios quotidianos, vivências locais, relacionadas sobretudo com a freguesia do Monte. A “sociedade elegante”, os tipos populares, vizinhos, amigos e o próprio Francisco Ferreira são figurantes únicos, testemunhos de existências perdidas, que desta forma conseguimos reencontrar. Todos os anos introduzia novas figuras para entusiasmo e assombro de todos e a tradição instala-se. A Lapinha do Caseiro torna-se um local de romagem e devoção na quadra do Natal.
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