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SaoCristovaopequeninho

“Estou em S. Cristovão.
Agora, sim. Descanso, finalmente, de tudo, dos trabalhos e da vida febril da cidade. A natureza pertence-me e eu pertenço a mim próprio. Tenho repousado depois das refeições, a olhar as montanhas, sempre belas e majestosas, a dormir narcotizadas pelo sol; tenho passeado através dos campos, em contacto íntimo com a terra, e tenho lido todo o tempo que me apetece.
Rejuvenesce esta vida.”

Excerto do livro Carlos Cristovão, “Impressões”

 

 

 

1Carlos Cristóvão da Câmara Leme Escórcio de Bettencourt nasceu na freguesia de S. Pedro, concelho do Funchal, no dia 25 de Fevereiro de 1924. Depois de batizado, voltou a Machico na companhia de seus pais, Francisco Pedro de Bettencourt e D. Gabriela Helena da Câmara Leme Escórcio Gouveia de Bettencourt, onde viveu à Rua General António Teixeira de Aguiar, antiga Rua Direita, em antiga casa solarenga pertencente à sua família materna, sendo seu avô, João Conceição Rodrigues Gouveia, descendente de uma das famílias mais ilustres de Machico. Aqui cresceu e frequentou a escola primária, após a qual foi estudar para o Funchal, onde fez o sétimo ano do Liceu.
Carlos Cristóvão publicou várias obras nos diversos géneros literários como poesia, prosa, romance, novela, peças de teatro e, entre as suas obras, destaca-se o “Elucidário de Machico” publicado em 1981.
Começou a escrever aos onze anos mas só aos vinte e oito é que publicou o seu primeiro livro intitulado “Arquipélago” em 1952, antologia de oito poetas que se reuniam habitualmente no café Apolo.

 

 

A aptidão para os contos ficou evidenciada em 1955 quando publicou sozinho o seu primeiro livro “As ondas e o vale”, que teve uma segunda edição. Neste livro o autor faz duas dedicatórias, a primeira ao seu pai e a segunda à sua mãe, onde expressa o seu carinho e gratidão.

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Depois passou para o papel a história do Solar de São Cristóvão “O livro de S. Cristóvão” (edição para as pessoas amigas) em 1958, que mereceu também uma segunda edição, mas só em 1992. Neste livro, o autor faz uma dedicatória à sua Mãe: “É para si, minha Mãe, a primeira oferta deste livro, pela sua dedicação por mim, e porque também gosta muito da Quinta e tem muita devoção pelo Santo, com muito afecto do seu filho Carlos Cristóvão - 1958.”

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“Vale a pena viver” foi o seu primeiro livro de poemas publicado em 1962. São vinte e seis poemas que foram escritos em diferentes épocas da sua vida, dedicando-os às mulheres que amou.

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“A neta do morgado” escrita em 1966, foi uma novela que o próprio escritor transformou numa peça de teatro denominada “A morgadinha que o amor levou”.

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Depois publicou o seu primeiro romance “No Vale de Machico” em 1966, onde descreve a vida social do povo madeirense em geral e de Machico em particular dos anos 60. Uma obra que mais tarde foi transformada em mais uma peça de teatro “O Senhor dos Milagres”.

6Cris“A procissão nocturna começa logo que as sombras da noite envolvem o verde vale e as cambiantes montanhas que circundam a vila. E não só por isso devemos chegar lá ao cair da tarde. É porque o anoitecer em Machico é uma espécie de balada em que, no começo as notas são suaves, claras e quase alegres, através do azul da baía, constelada de coloridas embarcações, do verde dos campos e das montanhas ao fundo, do cinzento-bazalto dos montes laterais, do vermelho dos telhados e do branco das paredes do casario, e, depois, as notas dessa balada vão adquirindo vigor, dramatismo, porque as cores ficam mais escuras, carregadas, quase trágicas, até serem apenas um imenso véu negro. Esse véu negro, porém, rasga-se no centro da vila, quando se acende a electricidade e as montanhas, que tiveram tantas gradações de verde, ao aproximar-se a noite, se ela é de luar, ficam prateadas e recortam-se no céu em caprichosos contornos, notas finais, notas líricas da tal balada apaixonante. Em realidade, não há como a música para descrever uma paisagem! É a noite do Senhor dos Milagres.”

 

 

 

 

“Elucidário de Machico” é uma obra com três edições e que foi editada pela Câmara Municipal de Machico. Neste livro, Carlos Cristóvão escreve sobre a história, a paisagem, o património, a arte e também sobre as individualidades importantes de Machico.

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Em 1994 o autor publicou uma novela “Querer Viver” e outro livro de contos, “Aquele Artista Inquieto e Outros Contos”

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Para além destas obras, Carlos Cristóvão colaborou com jornais e revistas de um modo versátil, publicações essas que designou de “Esparsos” (impressões de viagem).
O autor continuou a escrever “Impressões”, que são uma espécie de Diário, embora não as escrevesse diariamente.
1940 – Carlos Cristóvão (15 – 16 anos de idade) - “Resolvi escrever os meus devaneios, os meus pensamentos, o que se passa de bom ou mau. Para isso começo desde hoje, 1º de Janeiro, e, deste modo o dia mais próprio para isso. 8 de Janeiro - Hoje começou a vida, o meu 4º ano do liceu, com as suas aulas (...) Fui ao colégio Académico onde a minha prima é lecionadora Guiomar, dá aulas dedicando-nos hoje aos Lusíadas. Adoro-os cada vez mais! Que homem devia ter sido o nosso Camões, que talento, que milagrosa inspiração, que lirismo nos sonetos e até em muitos passos da sua epopeia. É uma das razões porque nos devemos orgulhar de sermos portugueses.”
Excerto do Diário de Carlos Cristóvão “Impressões”, I volume, 1940-1949

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Carlos Cristóvão que faleceu em 1998, foi uma das distintas figuras da cultura madeirense e uma referência na escrita que o afeto e o entusiasmo pelo vale de Machico se fez sentir no seu percurso de escritor.


Publicações do autor
- Arquipélago (antologia de oito poetas) – 1952
- As ondas e o vale (contos) 1ª edição – 1955, 2ª edição – 1962
- O livro de S. Cristóvão, 1ª edição – 1958, 2ª edição – 1992
- Vale a pena viver (poemas) – 1962
- A neta do morgado (novela) – 1966
- No vale de Machico (romance), 1ª edição – 1966, 2ª edição - 1990
- O Senhor dos Milagres (peça de teatro) – 1971
- A morgadinha que o amor levou (peça de teatro) – 1971
- Elucidário de Machico, 1ª e 2ª edição – 1981, 3ª edição – 1989
- Querer viver (novela) – 1994
- Aquele artista inquieto e outros contos – 1994

Inéditos
- Para além do arco-irís
- Sair do labirinto (romance)
- Dois destinos e outros contos
- Esparsos versáteis
- Impressões esporádicas

Créditos: Solar de São Cristovão