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As Coleções do Museu. 
Pofissões Tradicionais. 
Chapeleiro: O “Chapéu dos Carreiros". 
Desde 1948 que, no número 237 da Rua de Santa Maria, no concelho do Funchal, se encontrava instalada a “Fábrica de Chapéus de Santa Maria Maior”, fundada por três irmãos, mas que deixou de laborar recentemente.
Dois deles, José Pestana e João Pestana, exerceram ali o seu ofício, até o seu encerramento. Naquele espaço, produziam-se e comercializavam-se “chapéus de pala” (de copa redonda e achatados) e as tradicionais carapuças.
José Pestana aprendeu o ofício, ainda jovem, numa chapelaria situada na Rua do Carmo. Era ele quem confecionava o chapéu “canotier” ou “chapéu palheta”, como este que pertence ao acervo do museu, um modelo que foi, durante muitas décadas, o chapéu de palha de eleição, utilizado pelos homens.
Atualmente é mais conhecido, na nossa Região, como “chapéu dos carreiros do Monte”, visto fazer parte do traje usado pelos “carreiros”, que conduzem os “carros de cesto”, na freguesia do Monte.
A matéria-prima utilizada na sua confeção, a palha de trigo, eram importada do Norte de Portugal. Ali o trigo é plantado com a finalidade da sua palha ser entrançada à mão, motivo pelo qual é ceifado antes de a planta “dar espiga”, para que não adquira um tom escuro.
O processo de fabrico deste tipo de chapéu iniciava-se com a operação de enrolar a trança, que era executada com o auxílio de um pequeno martelo, com o qual o artífice batia na palha, de modo a endireitá-la e ajustá-la. Depois, a trança era cosida na máquina de costura. Enquanto o cosia, o artesão imprimia-lhe um movimento giratório, constante, modelando-o à mão nua, para obter a forma desejada. Iniciava a confeção do chapéu pela da “copa” e fazia, depois, a “aba”.
Finalmente, era colocado sobre a forma de madeira respetiva (as formas correspondiam aos diferentes tamanhos, que iam desde o 48 ao 64), era protegido por um pano humedecido e era engomado.
Para finalizar este artefacto, o artífice cosia uma faixa de tecido, de cor preta, na qual estava impressa a palavra “Madeira”, identificando a origem visto, atualmente, ser um produto essencialmente comercializado para os turistas.

Créditos: Museu Etnográfico da Madeira.

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