Coleção do Museu Etnográfico da Madeira | Artesanato em Pedra.
A lenha utilizada para cozinhar, abundante em algumas localidades foi, em tempos, um bem escasso, devido à sua grande procura. Para obtê-la era necessário percorrer longas distâncias nas serras e em lugares de difícil acesso.
Foi, então, que surgiu o “cigano”, utilizado um pouco por toda a ilha, uma forma sábia de aproveitamento do farelo (aparas) proveniente das serragens e carpintarias. Este material de difícil combustão, tornava-se combustível, quando prensado dentro no interior de uma pedra de tufo, modelada para o efeito.
Podemos comparar o “cigano” ao moderno fogão a gás, visto que a sua chama é constante e duradoura, emitindo uma chama que permite cozinhar entre 5 a 6 horas.
Desconhece-se a origem desta técnica, bem como da sua designação, embora esta última possa estar relacionada com o modo de vida da etnia cigana, o nomadismo, pois trata-se de um fogão de fácil transporte e montagem em qualquer local.
Outrora, algumas famílias do sítio da 1ª Lombada, freguesia da Ponta Delgada, possuíam “ciganos” em pedra de cantaria mole para cozinhar os seus alimentos. A pedra para a sua construção era retirada do leito ou das margens das ribeiras, de onde também se retiravam as pedras de tufo para construir os fornos de cozer pão.
Com o objetivo de preservar este artefacto, o Museu Etnográfico da Madeira, no âmbito do projeto “Artesanato Madeirense – Valorize e Compre o que é Nosso”, apoiado pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, adquiriu ao artesão José Carlos Santos, este “cigano”, que faz parte do acervo do museu.


