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Há 168 anos, falecia na ilha da Madeira, a princesa D. Maria Amélia de Bragança (n. Paris, 1/12/1831; f. Funchal, 4/2/1853), filha de D. Pedro I, Imperador do Brasil/ Pedro IV de Portugal (1798-1834), e de D. Amélia de Leuchtenberg (1812-1873). A malograda princesa contraiu tuberculose no início do ano de 1852, e perante a sua periclitante saúde, foi tomada a decisão de rumar para a Madeira, na altura conhecido e recomendado destino terapêutico. Desembarcou no Funchal, acompanhada pela sua mãe, a 28 de agosto de 1852, sendo recebida com toda a honra, pompa e circunstância, para gáudio da população em geral. A título de curiosidade, a comissão organizada pelo governador Civil José Silvestre Ribeiro (1807-1891) para tratar da receção das Suas Altezas, integrava Vicente Gomes da Silva (1827-1906), que viria a fundar a Photographia Vicente. A princesa, que adorou a ilha, ficou hospedada na Quinta das Angústias (atual Quinta Vigia), onde veio a falecer a 4 de fevereiro de 1853. A 13 de abril desse ano, sua mãe mandou erguer, em sua honra, um asilo hospitalar para o tratamento de tuberculosos, o Hospício Princesa Dona Maria Amélia, que inicialmente funcionou na casa dos Morgados Aragão, sita na rua do Castanheiro.

O edifício do Hospício foi projetado pelo arquiteto inglês Edward Buckton Lamb e a direção da obra ficou a cargo do arquiteto madeirense João de Freitas Albuquerque, sendo lançada a primeira pedra no 3.º aniversário da morte da princesa D. Maria Amélia, a 4 de fevereiro de 1856. A inauguração oficial ocorreu em junho de 1862, mas já se encontrava em funcionamento desde o dia 4 de fevereiro desse ano, tendo recebido os seus primeiros doentes nessa data simbólica. Com o falecimento da Imperatriz D. Amélia em 1873, o legado passou para a sua irmã D. Josefina, Rainha da Suécia e da Noruega, que constituiu em 1877 a Fundação Princesa Dona Maria Amélia, para assim administrar o Hospício. Ao longo dos anos, esta instituição criou novas valências para além da saúde (atividade que cessou), sendo aí instalado um orfanato (1878), um Externato (1937), uma Creche (1964) e um Lar de idosos (1982). Hodiernamente, esta instituição continua sob a tutela da coroa da Suécia, tendo a Sua Majestade, a Rainha Sílvia inaugurado dois novos edifícios: um Infantário, a 17 de abril de 2002 e mais recentemente, a 2 de maio de 2017, um Lar de idosos.
 
Créditos: Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente's.
princesadameliao
 
JOAQUIM AUGUSTO DE SOUSA
Vista do Hospício Princesa D. Maria Amélia a partir do Teatro D. Maria Pia (atual Teatro Municipal Baltazar Dias) | Entre 1887 e 1905
16,3 x 21,3 cm | Negativo simples, vidro | Gelatina sal de prata
MFM-AV, Inv. JAS/716
Em depósito no ABM