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O Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente's assinala o Dia do Trabalhador, uma data comemorativa que remonta ao primeiro dia do mês de maio de 1886, quando um grupo de 500 mil trabalhadores de Chicago (Illinois, E.U.A) inicia uma greve pelas ruas dessa cidade, para reivindicar melhores condições laborais e uma jornada de trabalho de 8 horas. Após esta manifestação, da qual resultaram disparos, feridos e dezenas de mortos, seguiu-se um outro motim, a 5 de maio, onde se registou novos desacatos e feridos. Estes acontecimentos incitaram a opinião pública a repudiar a ação policial, patronal e governamental, e deu azo à instauração da celebração do 1.º de Maio, o Dia Internacional do Trabalhador, pelo Congresso Operário Internacional, que se reuniu em Paris em 1889.

Esse movimento teve repercussões em Portugal, ainda em plena Monarquia Constitucional, e os trabalhadores Portugueses reivindicaram, em sucessivas greves, a subida dos salários, a redução do horário de trabalho e a melhoria das condições laborais. A mais retumbante dessa época, ocorreu em 1900, em Lisboa, onde se reuniram 40 mil pessoas em protesto. Com a instauração da I República, e apesar do 1.º de maio não ser então considerado feriado nacional, os trabalhadores mantiveram viva esta celebração, que passou a ser controlada pelo Estado durante a II República. A partir de 1933, o governo decreta a unicidade sindical e passa a organizar (e controlar) as manifestações do “Dia do Trabalho” (em substituição do Dia do Trabalhador). Com a revolução de 25 de Abril de 1974, ocorre poucos dias depois, a primeira celebração livre do 1.º de maio desde a instauração da Ditadura, numa manifestação considerada como a maior alguma vez organizada em Portugal. Milhares de trabalhadores e populares saíram às ruas, um pouco por todo o país, para celebrar a liberdade e para afirmarem as suas posições, sendo que somente em Lisboa contabilizaram-se mais de meio milhão de pessoas. Nesse ano, na Madeira, as comemorações foram também bastante expressivas, não só pelo clima pós-revolucionário que se sentia, mas também pelo facto de aqui se encontrarem, de partida para o exílio no Brasil, as duas principais figuras do Estado Novo, Américo Tomás (1894-1987) e Marcelo Caetano (1906-1980).
Associamo-nos à celebração, com a partilha de um conjunto de fotografias referentes às manifestações populares do 1.º de Maio de 1974, ocorridas no Funchal e captadas pela objetiva de João Pestana.
A propósito, diga-se que se encontra patente no Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s uma mostra deste fotógrafo madeirense, que reúne paisagem, vivências e acontecimentos da segunda metade do século XX, e que a mesma poderá ser visitada de forma gratuita até ao final do mês de junho.
 
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JOÃO PESTANA
Sem título (Manifestação do Dia do Trabalhador) | 01- 05 -1974
9 x 12 cm | Prova em gelatina e sais de prata
MFM - AV – Inv. JAP/763; JAP/764; JAP/771
Em depósito no ABM