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Perfuma e alegra o solo um vinho histórico, produto de castas primitivas, sangue de raça a perpetuar na ilha, o nome de Portugal. Foi este vinho companheiro dos colonos na rota da descoberta; postou-se de guarda à porta de suas casas, de braços abertos, numa ramada acolhedora a parentes, amigos e vizinhos; dá-lhes vida no trabalho; vibra-lhes na alma em festas de família e todos os anos se renova no barril (…) para o aquecer no inverno, estugar-lhe o passo nas romarias do verão, firmar promessas, selar contratos, fechar negócios e ser providência económica no seu lar.
PEREIRA, Eduardo, Ilhas de Zargo, Funchal, 1967, pp. 58-559.
A vinha. Inevitavelmente. Ou não fosse preciso vinho e pão para o ritual cristão dos primeiros colonos. Ou não fosse preciso vinho e pão para a alimentação de cada dia.
Em meados do século XV, com o processo de ocupação e aproveitamento da ilha, são introduzidas cepas vindas do reino e, mais tarde, do Mediterrâneo. A paisagem transforma-se: das escarpas, brotam culturas e o denso arvoredo é cortado para construir habitações e erguer latadas, rendilhando os socalcos que o homem foi construindo.
Durante mais de três séculos, a vinha foi conquistando a terra e a montanha, tomando o lugar das searas e dos canaviais e o vinho foi-se tornando um produto importante, na atividade agrícola dos madeirenses. A documentação dos séculos XVIII e XIX considera-o a principal riqueza da Ilha.
O comerciante inglês, aqui instalado desde o século XVII, soube tirar partido deste “néctar dos deuses”, fazendo-o chegar à mesa dos seus compatriotas espalhados pelo mundo colonial - em África, na Ásia e na América.
A História, porém, atraiçoou-nos: o século XIX trouxe a crise dos mercados e a doença da vinha; trouxe o descuido com a qualidade das castas; trouxe a miséria e a emigração.
Hoje, o mercado do vinho é diversificado. O turismo veio abrir-lhe o futuro; organismos oficiais zelam pela sua qualidade; a denominação e a marca “Madeira” são reconhecidas no mundo inteiro.
O vinho tornou-se num tema comum, cativando poetas e literatos. Hoje, o vinho é uma questão cultural, sendo cada vez mais numeroso o público interessado em conhecer a sua História.
Um brinde? Com cuidado.
Para saber mais:
VIEIRA, Alberto, História do Vinho da Madeira, Documentos e Textos, CEHA, Funchal, 1993.
VIEIRA, Alberto, A Vinha e o Vinho na História da Madeira, Séculos XV a XX, CEHA, Funchal, 2003.
HANCOCK, David, Oceans of Wine, 2009.
 
Fotos: Paisagens
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