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"É diferente de todas as outras, a noite de 8 de outubro, em Machico. É diferente em toda a Ilha da Madeira e é diferente de todas as outras noites do ano, mesmo em Machico. 
A vila, parece imersa em uma melancolia muito especial, uma melancolia que nos faz bem, que nos penetra até ao íntimo da alma. E dessa intimidade profunda da melancolia e da alma, surpreendemo-nos completamente confortados da última desilusão, da mais recente calúnia, da derradeira injustiça… 
É a noite do Senhor dos Milagres. 
Podemos ir do Funchal por mar ou por terra e, tanto por mar como por terra, desde que faça bom tempo, são inúmeros os devotos e os curiosos que para lá se dirigem. Os devotos regressam felizes por terem cumprido a promessa feita num dia em que a única esperança era um milagre. Os curiosos, se são superficiais, voltam decepcionados, mas, se sentem a poesia, embora não sejam muito crentes, experimentam o tal conforto em recessos ignorados da alma, porque a noite do Senhor dos Milagres não é uma noite de arraial. É uma noite em que se faz uma romagem piedosa, é uma noite da Alma”. 
Excerto do romance de Carlos Cristóvão, “No Vale de Machico”, 1966.

Créditos: Solar de São Cristovão

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