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Se enchiam os colchões de palha de trigo ou de milho? 
A palha de trigo tinha muita utilização no arquipélago. Além de usada na produção artesanal de artefactos, era também aproveitada para a alimentação do gado, na arquitetura popular, ou mesmo para encher colchões. 
As chamadas “casas de colmo”, cobertas de “restolho” (parte inferior do trigo, com raízes), possuíam apenas duas divisões e mobiliário muito reduzido e a palha deste cereal, era utilizada não só para a cobertura das mesmas, mas também para encher os tradicionais colchões, as chamadas “camas de palha”. As famílias, para colmatar a falta de recursos, para aquisição de colchões de esponja, davam uso à palha do trigo que plantavam (a parte superior, cortada cerca de 50 cm abaixo da espiga), depois de debulhar este cereal na eira, com o “trilho” ou com o mangual”. Esta palha constituía o alimento dos animais durante o Inverno e todos os Verões renovava as camas. 
As “camas de palha” eram colchões feitos de pano grosseiro, de baixa qualidade, cozidos em toda volta, com uma grande abertura a meio, na vertical, para “enchimento” com palha de trigo. O colchão, depois de enchido, era cozido com pontos igualmente grosseiros, para ser mais fácil de descoser, no esvaziamento e enchimento, no ano seguinte, quando voltaria a ser “esventrado” para mudar a palha e lavar o pano. A palha de milho também era usada no enchimento de colchões. 
As camas altas e bem “recheadas” chegavam a ter mais de meio metro de altura, no dia do enchimento. Contudo, no ano seguinte, a palha estava reduzida a farpas. Com o peso do corpo, iam baixando, semana após semana. Por esse motivo, era necessário “remexer” a palha, operação feita usualmente ao sábado, quando a cama era “feita de lavado”, para evitar “lombos”. 
Estes colchões tradicionais eram popularmente conhecidos por “enxergas, ou, em certas zonas rurais, por “tarimbas”. Esta última designação é atribuída, devido à dureza dos mesmos, já que tarimba é, também, a designação atribuída aos estrados de madeira onde dormiam os soldados nos quartéis e postos da guarda. 

João Carlos Terra-Boa - Museu Etnográfico da Madeira.
Museu Etnográfico da Madeira.
 
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