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O escultor madeirense Francisco Franco (1885-1955) foi considerado pelo seu biógrafo, escultor Diogo Cândido de Macedo (1889-1959), como o «maior escultor português», ao tempo da sua grande produção escultórica, quer enquanto escultor oficial, que marcou, no entanto, uma nova tipologia na estatuária portuguesa, mas também enquanto artista do modernismo que experienciou linguagens expressivas, anotando-se forte influência do seu mestre, A. Mercier (1845-1916), e da arte clássica, consequência das suas viagens por França, particularmente Paris - «a cidade luz», Itália, Espanha, Bélgica e Holanda, e sobretudo pela obra de Auguste Rodin (1840-1917), veiculando uma simbiose entre classsicismo, natruralismo, realismo, simbolismo e expressionismo. Outras influências foram assimiladas, de forma diversa, estrutural e formalmente lógica no seu processo plástico-expressivo, das obras de Cézanne (1839-1906), Picasso (1881-1973), Heitor Cramez (1889-1967), Amedeo Mondiglianni (1884-1920), Alexander Archipenko (1887-1964), Puvis de Chavennes (1824-1896), Eugène Carrière (1949-1906), Antoine Bourdelle (1861-1929) e Maillol (1861-1944).
Da obra pública de Francisco Franco, na ilha da Madeira, destacamos o «ANJO IMPLORANTE», peça executada em bronze, destinada ao túmulo da Família Rocha Machado, que se pode observar no Cemitério das Angústias, em São Martinho (Funchal), para o qual transitou em 1945, vindo do antigo cemitério. Mede 1,83 m de altura e está assente sobre lápide de cantaria rija, onde se lê: «INS.- LUIZ DA / ROCHA / MACHADO / E FAMÍLIA / P.N. A.M.» Data a sua execução de 1916, devendo o seu impuslo ao banqueiro Henrique Vieira de Castro, mecenas do escultor.
O «ANJO IMPLORANTE» é uma obra escultória que explora o simbolismo inerente à figura do anjo, com laivos de dramatismo e expressionismo, de grande liberdade artística, mas evidenciando o aprendizado do seu autor da gramática clássica e académica, primando por uma delicada técnica, explorando e confrontando volumetrias e texturas que enqiuecem plasticamente a figura.
 
Texto: Rita Rodrigues / DRC
Ligações à obra de Francisco Franco
 
https://issuu.com/escolasff/docs/rev._38/32 (Revista n.º 38, pp. 32-33)
anjoimplorante1
01 - «Anjo Implorante», Francisco Franco, 1916. Bronze. Cemitério das Angústias, S. Martinho (Funchal). Foto: Floriano Franco, publicado por Rui Carita em www.arquipelagos.pt
 
anjoimplorante2
02 - "Cabeça. Estudo “Anjo Implorante”" (46x47x45 cm), Francisco Franco, c. 1915. Gesso. Exposto no Museu Henrique e Francisco Franco (originário do Museu Quinta das Cruzes). 
Foto: RR / DRC