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No Cemitério das Angústias, em São Martinho (Funchal), destaca-se a capela-ossário, projeto do arquiteto Chorão Ramalho (1914-2002), com a data de 1951, cujas obras se prolongam até 1955, e intervenções escultóricas até 1958. Integra-se esta capela numa gramática arquitetónica modernista, internacional, cuja linguagem tanto caracterizou a obra deste arquiteto.
No interior da capela, no centro do altar-mor, aberto em pano curvo, encontra-se um grande painel cerâmico, de azulejos policromos (azul, amarelo e verde), representando o «Arcanjo São Miguel», numa iconografia comum: São Miguel lutando e vencendo o dragão do mal. Todo o painel é composto por azulejos retangulares, montados na vertical, que vão constituindo as formas: a figura do arcanjo, guerreiro celestial com lança e armadura de malha; dragão contorcido; labaredas; e várias mãos dispersas, soltas, sobre labaredas. É uma composição dinâmica, estruturada por jogos de diagonais, embora o arcanjo São Miguel ocupe o centro da composição, na posição vertical. Prima este painel por uma geometrização e simplificação formal, com acentuados ângulos agudos, tornando, por exemplo, ainda mais agressiva a figura do dragão.
Estes azulejos foram executados em 1958, como atesta a assinatura do seu autor: «G. Camarinha» - pintor português Guilherme Camarinha (1912-1994), que também foi pintor de frescos e cartoonista de tapeçarias, tendo obras no Funchal, como um fresco (assinado e datado, 1952), na antiga Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal (hoje Palácio do Governo Regional) e uma tapeçaria (assinada e datada, 1951), hoje na Assembleia Legislativa da Madeira (sala rosa – gabinete do presidente), mas também proveniente da antiga Junta Geral.
Texto: Rita Rodrigues / DRC
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"Arcanjo São Miguel", Guilherme Camarinha, 1958. Capela-ossário, Cemitério das Angústias, São Martinho, Funchal. 
Fotos: MV/DRC