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Sabia que no Museu Etnográfico da Madeira, procedeu-se à reconstituição de uma cozinha, de uma casa mais abastada, do século XIX. Estes são alguns dos utensílios domésticos que fazem parte desta coleção do acervo do museu.

A cozinha era o espaço principal da casa, pois era onde se passava mais tempo. Ali preparavam-se as refeições, desenvolvia-se a maior parte da vida de casa e era um local de convívio, à volta da lareira.
Nas habitações com cobertura de colmo, por questões de segurança, a cozinha estava separada do resto da casa.
Nas casas mais abastadas era costume haver um fogão a lenha, existindo sempre um recanto para guardar a lenha, enquanto que nas menos abastadas preparavam-se as refeições no "lar", espécie de lareira, formada por três pedras, colocadas em retângulo, com uma abertura para colocar a lenha.
Era também frequente haver um forno, onde se cozia o pão, o qual era amassado na "amassadeira" ou "masseira", bacia de madeira oblonga, ou circular, de uma só peça, talhada a enxó. Utilizavam-se, também, para este efeito, alguidares de barro vidrado, fixos a um canto da cozinha.
Nem todas as cozinhas possuíam chaminé. Quando esta existia, localizava-se por cima da lareira ou fogão. Uma trave forte, enegrecida pela fuligem, formava o suporte da parede interior da chaminé, a qual tinha o aspeto de um funil e existia um retângulo formado por traves, que funcionava como base. As formas das chaminés propriamente ditas divergiam muito. Nas cozinhas onde não existia chaminé, o fumo saía pela porta, por uma janela, ou escapava-se entre as telhas ou colmo da cobertura, resultando daí cozinhas enegrecidas.
Era costume pendurar na trave, os "cabos" de cebolas ou alhos e, ainda, algumas ervas aromáticas.
A panela de ferro fundido, com três pés, o "mosqueiro" (caixa suspensa no tecto, para guardar os alimentos, protegendo-os dos roedores) o "cuscuzeiro" de barro (para confecionar o tradicional "cuscus") as colheres de pau, as "salgadeiras" (onde se salgava a carne de porco), as "bilhas" e "infusas", utilizadas para transportar a água, eram alguns dos objetos de uso comum.
As loiças, copos e talheres guardavam-se num armário aberto, a "copeira", escavado numa das paredes. O armário aberto era, em alguns casos, substituído por prateleiras, ornamentadas com barras de papel com uma impressão a cores de diferentes motivos.
Num canto da cozinha existia, usualmente, uma mesa e bancos de três pés ("mochos") ou quatro pés ("bancas") e numa das paredes sobressaía o candeeiro a petróleo.
Texto: César Ferreira - MEM
Fotografia: Henrique Leal (Estagiário)

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