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Em Portugal, a devoção a Santo Amaro vem desde tempos imemoriais, recorrendo o povo a este Santo para cura de enfermidades e fratura de ossos, motivo pelo qual se oferecem ex-votos em cera, com a forma de braços e pernas.
Iconograficamente, é representado com hábito de Frade Beneditino, de preto, e com báculo abacial, tipo bengala, tendo ainda um livro na mão.
Por todo o País existem capelas e ermidas dedicadas a este Santo e em sua honra fazem-se muitas festas e romarias. Na ilha da Madeira é festejado mais entusiasticamente em Santa Cruz e na freguesia do Paul do Mar, concelho da Calheta.
O dia 15 de janeiro, para além de ser designado como Dia de Santo Amaro, é também conhecido como o “dia de varrer os armários”, tradição secular que encerra, de forma geral, no arquipélago da Madeira, os festejos de Natal, conservando o povo a árvore e o presépio até este dia, quando são dados por findos os festejos de Natal. Excecionalmente, em algumas freguesias da ilha, os festejos encerram mais tarde, perdurando até as festas religiosas de Santo Antão ou de São Sebastião, comemoradas nos dias 17 e 20 do mesmo mês.
Tradicionalmente, é com a primeira Missa do Parto que começa o Natal madeirense e é com o “varrer dos armários” que este termina.
Antigamente, toda a família reunia-se neste dia para assistir ao desarmar do presépio. Deitavam-se fora as searas, retiravam-se as frutas, o Menino era guardado no oratório e os pastorinhos guardados nas caixas, até o ano seguinte.
Na véspera, o povo andava de porta em porta, cantando ao som dos instrumentos tradicionais, quadras alusivas a este Santo. Munidos de uma vassoura, para “varrer os armários”, batiam às portas e entravam, entoando os cânticos e serviam-se de vinho, licores, doces, ou, mesmo, da fruta da lapinha, repetindo-se este ritual em todas as casas.
Aqui ficam algumas imagens, de visitas ao museu, de amigos que vieram “varrer os armários”, ao longo destes anos, e alguns versos, entoados pelo grupo do Lar de São Bento, em 2020:
O Lar São Bento
O Santo Amaro vem cantar
Visitar o museu;
E quem trabalha neste lugar.
Santo já é velho
De velho caiu-lhe os dentes
Quem mandou o Santo Amaro
Comer as batatas quentes.
Viemos cantar o Santo Amaro
Não é por vinho, nem por pão
Desejamos um bom ano
E mantemos a tradição.
Os idosos do Lar de São Bento
Gostam muito de se divertir,
Querem cantar o Santo Amaro
Pra fazer a malta rir!
Refrão
Santo Amaro é meu
Tenho-o bem guardado
No fundo da caixa
Do ano passado.
Eu trago a vassoura
Também trago a pá
Senhora abra a porta
Quero varrer já.
Afastai as mesas
Afastai os bancos
Aqui vem um velho
De cabelos brancos.
Afastai os bancos
Afastai as mesas
Aqui vem um velho
De canelas tesas.
Créditos: Museu Etnográfico da Madeira
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