LogoCmadeira2020

LogoSRTC2020

PT EN
Zeca da Silva (José Élvio Sebastião da Silva) foi um dos principais nomes da geração de músicos madeirenses dos anos 50. Iniciou as suas incursões pianísticas no Hotel Bella Vista, em 1950, seguindo-se o Miramar e o Hotel Reid's, acompanhado por Artur Andrade no contrabaixo e Fernando Olim na guitarra elétrica. Um trio, muito ao género e estilo de Nat King Cole, que se manteria por mais de 12 anos. O grupo passaria ainda pelo Hotel Savoy e Casino da Quinta Vigia, saindo depois da Madeira para tocar no Ronda (Monte Estoril, a partir de 1953), conjugando nalgumas atuações a sua música com outro, dos grandes músicos e compositores do seu tempo, o madeirense Hélder Martins. A partir de 1958, Zeca da Silva e o seu quarteto percorreram Angola, Moçambique, África do Sul e Rodésia. Em Luanda, tocaram no Hotel Universo, seguindo-se em 1961 o Hotel Girassol em Lourenço Marques (durante dois anos). Mudaram-se depois para a África do Sul onde começaram como artistas convidados do Bal Tarabin Night Club em Joanesburgo, passando por outros espaços da noite dessa cidade. Na Rodésia, em Kitwi, Zeca da Silva permaneceu durante um ano no Club S. Tropez. À semelhança do que era habitual nos conjuntos de jazz ou de ritmos modernos que se encontravam no Ultramar, a ligação à África do Sul era comum tanto para trabalhar como para comprar instrumentos musicais. A África do Sul recebia as melhores marcas vindas da Inglaterra ou dos Estados Unidos da América. Uma vez que não aplicava taxas na sua comercialização, o preço final era bastante vantajoso para os músicos portugueses. O mesmo instrumento em Portugal custaria nesse tempo, duas ou três vezes mais, pois estava sujeito ao imposto de luxo ou de importação. Os músicos Zeca da Silva (piano), Fernando Olim (guitarra), Artur Andrade (baixo) e Tony Oliveira (bateria e voz), foram também uma presença musical na Rádio Clube de Moçambique. Este centro radiofónico tinha as suas orquestras e programas de variedades musicais com emissões em direto. Também gravava no seu auditório os melhores artistas do meio musical da capital Lourenço Marques (atual Maputo). «Zeca da Silva e Seu Conjunto» acompanharam e gravaram com muitos deles, entre os quais a eleita Rainha da Rádio de Moçambique de 1960, Marinela, na gravação do seu primeiro disco para a Editora Alvorada e ainda, João Maria Tudela nalguns dos seus discos. Uma das fotos realizada durante uma das gravações, Artur Andrade (contrabaixista) está em cima de uma cadeira numa ''posição'' mais eficaz, para a captação e registo do instrumento, por parte dos técnicos de som.
Durante a estadia na África do Sul, existiu uma nova oportunidade para gravar um disco, neste caso para a etiqueta sul africana Rave - «Zeca da Silva and His Trio» (embora surja o título mal pronunciado de ''Zaca da Silva''). Desse registo fazem parte as seguintes canções: «Canção do Mar», «Queme», «Senhora da Nazaré» e «Never on Sunday». Em dezembro de 1966, o quarteto já não tinha a formação original, os restantes elementos tinham, entretanto, regressado à Madeira. O trio de então era constituído por Zeca da Silva ao piano. Carlos Rodrigues (baterista e vocalista) e Fernando Guerreiro (contrabaixo, vibrafone e acordeão). O pianista Zeca da Silva, continuaria mais algum tempo na Beira (Moçambique) Durban e Cape Town (África do Sul) inaugurando ainda o Night Club "A Cave" (Lourenço Marques). O músico regressou ao Funchal, definitivamente, a 14 de abril de 1969. Pela sua qualidade e percurso artístico, foi convidado a formar no início dos anos 70, a orquestra residente do novo ''cinco estrelas'' madeirense, o Hotel Madeira Sheraton.
Texto e Pesquisa: Vítor Sardinha.
 
zecadasilva1o
 
Zeca da Silva África do Sul anos 60.
 
zecadasilva2o
 
Zeca da Silva, Tony Oiveira, Artur Andrade e Fernando Olim 1953 Funchal.
 
 zecadasilva3 o
 
 Zeca S., F Olim, Artur A. José Maria Tudela Lourenço Marques 50 Gravação no Rádio Clube de Moçambique.
 
 mirinelazecan

 

Marinela e o Conjunto Zeca da Silva.