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Antigamente, existiam muitos tanoeiros na cidade do Funchal, a trabalhar por conta própria, nas suas “tendas” (oficinas) ou a prestar serviço nas casas vinícolas. A presença destes profissionais na nossa cidade está, aliás, representada na toponímia da cidade, existindo uma rua com a designação destes artífices: Rua dos Tanoeiros.
Hoje já são poucos os que exercem este ofício.
Além do tradicional “vasilhame”, ou seja, os "barris" , "cartolas", "pipas" , "tonéis" e "cubas" , estes artífices também confecionavam outro tipo de peças, nomeadamente medidas, funis, jarros, baldes, celhas, o "óculos" ou "mira-fundos" para pesca, dornas, bancos, mesas e muitos outros artefactos tendo, a maior parte, desaparecido do nosso quotidiano.
As "vasilhas" possuem diferentes dimensões, formas e capacidades, e consoante essas caraterísticas, adquirem diferentes designações.
O comum "barril" tem capacidade para 1, 5, 9 ou 12 litros. O barril de 25 ou 32 litros é designado de “meio oitavo”.
O barril utilizado para medir e transportar o vinho, com capacidade para 45 litros, é conhecido como o “barril de borracheiro” e tem uma forma mais alongada e uma pega, em metal, que permitia segurá-lo, às costas, ao longo do percurso.
O de 65 litros é o chamado "oitavo". A "cartola" tem capacidade para 100 litros e o "quarto" para 200, 210 ou 220 litros. Os "barris de quarto", levam 250 e 300 litros. A “meia pipa”, com capacidade para 420, 430 ou 450 litros, é chamada de “pipa de embarque”. A “pipa canteira” tem capacidade para 600, 650 ou 700 litros e o "tonel" era, ainda, superior a este último número.
Por fim, existe a "Cuba", com capacidade para 1500, 2000, 7000, 10000, 20000 litros ou mais.
A cadeia operatória da confeção de um barril é muito minuciosa e envolve várias fases que adquirem, também, designações muito específicas, nomeadamente "esquivar", "tornear", "vazar" , “juntar a madeira”, “levantar a vasilha”, "bastir" , "arrunhar", "descabeçar", "fazer os jabros" , cortar, desbastar, "fundar", "cravar os aros" ou apertar.
Entre as ferramentas utilizadas pelos tanoeiros, podemos enumerar a "plaina", o "chaço", a "enxó", o "sagote", a "serra de voltear", o "malho", o compasso, o "cutelo", a "pua", o “trade”, o “rebote” ou a "bigorna".
O banco de tanoeiro, popularmente conhecido como “muleta”, utilizado nas operações de "lavrar", ou seja de preparação das madeiras, é uma peça de referência deste ofício.
Atualmente já se utilizam máquinas, nalgumas fases do processo de fabrico.
Na confeção dos artefactos utiliza-se, como matéria-prima, diferentes tipos de madeira: carvalho americano, castanheiro, acácia, mogno ou urze. Os aros, utilizados na montagem dos artefactos, são de ferro.
Fotografia: Emanuel Nóbrega, Monte, Funchal, Arquivo MEM.
Créditos: Museu Etnográfico da Madeira
 
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