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Antigamente, era frequente os camponeses irem apanhar lenha, nas serras e nos terrenos baldios, para uso doméstico, mas os que viviam nas vilas e no Funchal, compravam-na aos lenhadores ou aos vendedores ambulantes.
Os lenhadores serravam o tronco da árvore em pequenos pedaços, os tocos, que depois eram divididos em quatro, cada um com cerca de 80 centímetros de comprimento e 3 a 8 centímetros de diâmetro, os canelos. Quando ultrapassavam esta medida, eram rachados longitudinalmente, uma ou duas vezes, dando duas ou quatro achas. Em seguida amarravam-nos em molhos e transportavam-nos para fins de consumo. Essa lenha, depois de seca, era chamada de lenha de conta.
Durante séculos, devido à orografia da ilha, com declives acentuados, a lenha e outros produtos eram transportados às costas, percorrendo-se os caminhos íngremes, a pé.
Quando os terrenos o permitiam, usavam-se cavalos ou mulas, que percorriam os caminhos de terra batida e as estreitas veredas, ou a carga era transportada pela corsa, veículo de arrasto, puxado por bois ou pela força humana. Os “homens da lenha”, que percorriam as ruas, tinham, geralmente, uma ajudante que os auxiliava nas descidas íngremes, segurando uma corda, atada na travessa traseira da corsa. A pilha de lenha, sobre a corsa, chegava a atingir os dois metros de altura.
Quando chegavam à cidade dirigiam-se às vendas (mercearias) e negociavam a lenha com os vendeiros, que a pesavam em grandes balanças decimais, colocadas à porta dos estabelecimentos. Esta lenha era vendida, depois, aos clientes.
A venda da lenha, de porta em porta, era também tarefa comum das mulheres, que percorriam as ruas da cidade, transportando à cabeça, grandes molhos de socas, paus e ramadas de urze, amarrados com uma corda. Para proteger a cabeça e ajudar a manter o equilíbrio, durante a caminhada, usavam a chamada “rodilha” ou “sogra”, um pano enrolado, em forma de coroa, sobre o qual colocavam o molho de lenha. Guardada nas chamadas “lojas” a lenha era, depois, arrumada e queimada nos velhos fogões a lenha.

FOTOGRAFIA: Lenhadores em descanso, Maroços, Machico, MFM-AV, em depósito no ABM, JAS/1532
Créditos: Museu Etnográfico da Madeira
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