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A profissão de varredor, pode ser considerada um ofício tradicional, embora esta atividade ainda se mantenha nos nossos dias.
Trata-se de funcionários municipais, que procedem à limpeza das ruas, jardins e outros locais públicos, das vilas e cidades. Se atualmente estes profissionais já recorrem a aspiradores industriais, antigamente todo o trabalho era executado com as tradicionais “vassouras de urze”.
Eram, geralmente, os próprios varredores, que construíam as suas vassouras. O processo de construção iniciava-se com o corte dos galhos, que depois eram colocados a secar durante cerca de um mês, período após o qual construíam a sua principal ferramenta de trabalho. Em alguns concelhos ainda se recorre à confeção destas vassouras.
Sendo a ilha da Madeira muito rica em recursos naturais, o homem recorreu, desde sempre, à utilização de algumas matérias-primas fornecidas pelo meio. Entre os recursos de origem vegetal, a urze, cuja madeira é muito duradoura e resistente, foi uma das espécies endémicas sabiamente aproveitadas pelo povo.
Existem várias espécies de urze, sendo a mais comum a urze-molar ou betouro (Erica arbórea L.), espécie de origem nativa, da família das Ericaceae. Trata-se de um arbusto ou pequena árvore, de folhagem persistente, geralmente com mais de 5 metros de altura, sendo a sua madeira vermelha acastanhada.
Esta madeira foi utilizada, durante séculos, na confeção de inúmeros artefactos, nomeadamente diferentes tipos de vassouras. Além das já referidas, usadas para varrer as vias públicas, existiam outras semelhantes, mas de diferentes dimensões, utilizadas nas lides domésticas para varrer a cozinha ou os “terreiros” (quintais), ou para varrer a cinza, nas lareiras, ou o “bagaço” das uvas, nos lagares, durante a “pisa” do vinho.
FOTOGRAFIA: Gabinete de Defesa e Dinamização do Património da Região, Secretaria Regional de Educação e Cultura, Anos 80, do século XX (Varredor, no Jardim Municipal do Funchal, Recolha de Jorge Freitas Branco).
 
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