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O Romantismo é uma tendência marcante na Casa-Museu Frederico de Freitas? 
O Romantismo, movimento que nos finais do século XVIII e no decurso do século XIX influencia as várias manifestações artísticas e culturais, caracteriza-se pela rejeição das regras, procura da liberdade, busca do inatingível, subjetivismo, valorização das emoções, liberdade na criação, na composição e no uso das cores. São assumidas novas formas de estar, de viver e sobretudo de habitar, em que a casa será o reflexo das alterações dos valores de propriedade, de família, de privacidade e até da relação com a natureza.
A Casa da Calçada, originária do século XVII, apresenta características marcadamente românticas que denunciam as importantes intervenções ocorridas ao longo do século XIX. É o que nos revela a original fachada, com seus elementos de influência oriental tão ao gosto da época: a cor forte, as cúpulas de metal e, sob o alpendre, o lambrequim de madeira recortada e pintada.
Também os interiores acusam essas alterações. Na casa abastada as divisões passam a ter funções bem definidas, distinguindo firmemente o público e o privado. Seguindo esta tendência, o Palácio da Calçada, como era então conhecido, tinha um espaço mais público e de ostentação (a Sala da Entrada e os Salões) onde se exibia a melhor mobília, as peças de arte e cuja decoração interior era particularmente cuidada. São disso exemplo o trabalho de estuque visível nos tetos e paredes e, como ditava a moda, o papel que as revestia, de motivos florais e cor forte (amarelo ocre).
Na zona mais íntima da Casa (as Salas de Chá e de Jogo, a Saleta, a Biblioteca, etc.) conversava-se, lia-se, costurava-se, jogava-se, ouvia-se música, tomava-se chá ... Aqui o conforto vai ganhando importância. Multiplicavam-se almofadas, tapetes e têxteis, mesas de apoio que ladeavam cadeiras e sofás, bibelots, fotografias e plantas.
Outra novidade da casa urbana, era a estufa ou jardim de inverno, que permitia que as plantas trouxessem a natureza para o coração da habitação. Este espaço e o jardim, com a sua casinha de prazer, construção típica do século XIX, garantiam a tranquilidade da vida privada.
Texto: Ana Paula Almeida

Créditos: Casa-Museu Frederico de Freitas

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