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Entre 1839 e 1880, captar imagens fotográficas estava apenas ao alcance de profissionais ou de entusiastas avançados, pois era um processo caro e complexo. Não só implicava dominar os princípios da fotografia, como também operar câmaras tecnicamente exigentes e ainda, manusear químicos no escuro, para preparar chapas que deveriam ser utilizadas ainda húmidas no ato da captação da fotografia. O primeiro passo para a democratização da fotografia foi dado em 1871, com a invenção da chapa seca gelatinosa à base de brometo de prata, pelo Dr. Richard Leach Maddox. Para além de uma maior durabilidade, este processo tinha a grande vantagem de eliminar a inconveniência de preparar chapas antes de fotografar. Porém, a sua péssima sensibilidade à luz, adiou por uma década a sua aplicação de uma forma mais sustentada. Com a maturidade deste processo, foi possível criar máquinas fotográficas mais simples e mais manuseáveis para pessoas inexperientes, dando-se assim a eclosão da fotografia amadora. Por volta de 1880, começaram a surgir câmaras já pré-carregadas com chapas secas (entre 10 a 20 unidades), sendo que o chassi de vidro dianteiro já se encontrava pronto a utilizar, prosseguindo para o seguinte através de uma alavanca. Este tipo de câmara ficou conhecida como câmara de caixa, ou de detetive, por serem mais discretas, podendo o fotógrafo passar mais despercebido entre os transeuntes, comparativamente aos modelos anteriores que exigiam tripé e um pano preto. Em 1892, Samuel Turner, patenteia um suporte inovador, a película, que, para além de ser mais seguro e mais cómodo que o vidro, permitia também carregar à luz do dia a câmara Bull's Eye (por si desenvolvida) com uma bobine com muito mais exposições. A companhia de George Eastman, após um imbróglio judicial com Turner, acaba por comprar a patente e muda o panorama da fotografia à escala global, com o sistema de carregamento de filme em película Kodak, que, nesta altura, era já um autêntico modismo na Europa e na América do Norte.
O Museu de Fotografia da Madeira possui no seu acervo várias câmaras deste tipo, sendo que na imagem que ilustra este texto, encontram-se dois exemplares expostos no atelier:
1. Brownie N° 2
Fabricada pela Eastman Kodak, a Brownie abriu a porta da fotografia às massas, por ser de baixo custo e de fácil utilização, como evidenciava a sua propaganda: "Aperte o botão, nós fazemos o resto". Consolidou a era do instantâneo portátil e simples, possibilitando boas fotos até mesmo para os mais inexperientes, sem precisar ajustar o foco ou cronometrar a exposição. A denominação deste modelo baseou-se no livro de Palmer Cox, The Brownies, Their Book (1887), que contava histórias fantásticas sobre pequenos duendes imaginários, enfatizando assim o pequeno tamanho da câmara.
Apesar do modelo exibido usar filme em rolo 116, o filme 120, que ainda hoje é produzido, foi criado por causa da Brownie.
Eastman Kodak Co., Rochester, NY, EUA 1901-1935
Imagens 6,5 x 11 cm, filme em rolo 116
MFM — AV, inv. 010 VIC
2. Câmara detetive
Fabricante desconhecido, França c. 1910
Placas de vidro 9 x 12 cm
MFM — AV, inv. 006 GRM Doação Gino Romoli
[MG]
Fotografia por Marco Gonçalves

Créditos: Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente's..

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