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Este arraial é diferente dos demais do Arquipélago da Madeira, pois trata-se de uma festa dedicada a Santo António em pleno mês de Setembro, quando as festas deste santo ocorrem em Junho. A razão pela qual esta ocorre em Setembro é devido à época alta da produção agrícola em que as oferendas dos produtos da terra são expostas. Todos os anos em cada sítio da freguesia são escolhidos os casais regentes constituídos por um rapaz e rapariga, que em representação do sítio, acolhem em suas casas as oferendas que os habitantes pretender oferecer à Igreja. Antigamente o contributo dum regente seria da ordem de «trezentos e tal ovos, dois alqueires de trigo, fruta e outros produtos.» refere uma popular da freguesia recordando os velhos tempos. Cada sítio constrói o seu bazar numa estrutura feita de varas com verduras onde depois da romagem no percurso entre a casa do regente e o bazar são depositados os produtos da terra levados em tabuleiros, cujo produto da venda é ofertado à Igreja. Há todavia uma comissão organizativa deste evento.
Reza assim o texto de Luísa Gonçalves no livro "Traços da Tradição Madeirense":«Antigamente, vinham a pé de todos os cantos da freguesia, trazendo produtos da terra para serem vendidos nos bazares, durante a festa em honra de Santo António. Mas a vida deu muita volta. Os novos emigraram e os que ficaram carregam, sim, mas é o peso da idade. Por isso, passou-se a recorrer ao carro para fazer o transporte até uma determinada zona. Desde essa data, a Cruz do Salão, freguesia da Ponta do Pargo, passou a ser o ponto de encontro. É daí que sai agora a romagem dos tabuleiros. Uma tradição que, dizem, não se encontra em mais nenhuma parte da ilha.»
No dia da festa pelas cinco horas da tarde, o rebuliço assinala-se na Cruz do Salão. Há foguetes de estalo que assinalam a partida da romagem. Os tabuleiros descarregados da furgonetas e a rua fica cheia de homens e mulheres com os tabuleiros mais ou menos ornamentados à cabeça que se dirigem ao seu bazar acompanhados pela banda de música.
Estes tabuleiros de forma rectangular são feitos em madeira e cheios de trigo, um cereal abundante na zona. São encaixados nos mesmos uns cartuchos de forma cónica que em tempos idos eram preenchidos de açúcar. Essa reminiscência pode aludir aos "pães-de-açúcar" dada a sua forma. A Ponta do Pargo é uma freguesia predominantemente agrícola, mas não produziu açúcar, apesar de pertencer ao Concelho da Calheta que foi um grande produtor deste "ouro branco" e que ainda hoje mantém um engenho. A festa de Santo António era também chamada de «Festa do Pão, evocando a figura de Santo António, na qualidade de benemérito oferente de pão para os pobres.» diz o Pe. Rui Sousa no mesmo livro. Estes cartuchos são decorados com estampas de Santo António e têm distintos tamanhos. Alguns tabuleiros têm um ou três cartuchos sendo enfeitados com flores artificiais. Antigamente os tabuleiros vinham com produtos da terra coincidindo com as colheitas entre os quais trigo e semilhas. Hoje em dia encontram-se ovos, frutos, garrafas de bebida ou bolos. A tradição mantém-se viva apesar dos novos tempos.

Fonte texto e imagem:
• portal madeirafolclore de Isabel Gouveia.
• Livro "Traços da Tradição Madeirense" com texto de Luísa Gonçalves e fotos de Duarte Gomes Editora "O Liberal", Abril de 2012

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