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No âmbito do projeto desenvolvido no Museu Etnográfico da Madeira e do qual resultou uma exposição temporária e a edição, em 2019, do livro “Festas e Romarias da Madeira” (Nº3 da coleção “Cadernos de Campo”), o museu dá continuidade à rubrica online, no âmbito da qual partilha, nas suas páginas das Redes Sociais (Facebook e Instagram) diferentes álbuns, com algumas imagens, que fazem parte dessa obra. Iremos percorrer todos os concelhos e divulgar diferentes festas, procurando assinalar alguns aspetos que as caraterizam.

Poderá encontrar mais informação sobre esta e outras festas no Portal dos Museus, ou, poderá consultar o livro, que está disponível nas lojas do museu e da Direção Regional da Cultura.
Esta semana, divulgamos a Festa de São Pedro, no concelho da Ribeira Brava.
De todas as festas de São Pedro, realizadas na Madeira, a da Ribeira Brava é a mais concorrida. Realiza-se nos dias 28 e 29 de junho e é celebrada na Igreja de São Bento.
Sendo São Bento o santo padroeiro da Ribeira Brava, a grande devoção desta freguesia é, contudo, a São Pedro, santo patrono dos pescadores, o que se explica pelo facto de, antigamente, a atividade piscatória ter ali um papel predominante.
Antigamente, os transportes faziam-se muitas vezes por mar. A cabotagem, com ligações a quase todo o litoral, desempenhou um papel fundamental na comunicação entre alguns concelhos. De toda a ilha vinham romeiros, de barco, para as festas do S. Pedro, na Ribeira Brava. O “Gavião”, o “Bútio”, o “Vitória” ou o “Dekade II”, foram alguns dos barcos de cabotagem que chegaram a realizar carreiras extraordinárias, para transportar os romeiros que chegavam durante a tarde, aumentando de número pela noite dentro. As bandas de música convidadas também utilizavam este transporte e eram esperadas no cais pela banda da localidade que as conduzia, em cortejo, até à igreja.
Ao meio-dia do dia de 28 de junho, inicia-se a festa com uma girândola de fogo. No início da tarde, as bandas de música partem para os vários sítios de onde vêm as oferendas, com produtos da terra, bebidas, doces, pão, vinho, animais e dinheiro que são colocados na copa, para serem “arrematadas” ou para serem vendidas através de rifas. Nos sítios da Fajã da Ribeira e Meia Légua, as oferendas vêm numa “charola”, espécie de pinha com os melhores produtos agrícolas produzidos, simbolizando o agradecimento do povo pela abundância das colheitas e apelando à fertilidade.
A “charola” é confecionada sobre uma armação esférica, feita de ferro e arame. O interior é preenchido com palha seca ou feiteira e coloca-se primeiro, no seu extremo inferior uma abóbora grande, para suportar e equilibrar os produtos. Depois, os voluntários dividem-se entre duas tarefas: uns atam os produtos agrícolas, um a um, antigamente com tiras de palha de bananeira e atualmente com ráfia, e outros fixam-nos na armação, antes de vime e atualmente de ferro e arame.
Nos sítios da Achada e Pico Banda de Além, as oferendas são colocadas num barco, devido ao facto de São Pedro ser pescador. Também oferecem dinheiro, cujas notas são colocadas num ramo de uma árvore, que transportam durante o cortejo.
No dia 29, celebra-se a “Missa da Festa” e depois sai a procissão, com a imagem do São Pedro, a barquinha, a banda de música, as crianças que fizeram nesse ano a Primeira Comunhão, as saloias do Espírito Santo, o clero, as diversas confrarias, as entidades oficiais e civis, os escuteiros, os fiéis e os elementos da Dança das Espadas.
A barca aparece no cortejo, visto São Pedro, ter sido pescador. Antigamente era decorada com flores e apetrechos da pesca, transportando crianças. Atualmente, um rapaz vestido com os trajes de São Pedro figura no barco.
Depois da procissão é executada a “Dança das Espadas”, no átrio da igreja Matriz, por sete dançarinos, acompanhados por três músicos: um com rajão, com uma braguinha e um pandeiro. A dança das espadas da Ribeira Brava era um vestígio das muitas folias que apareciam outrora na procissão do Corpo de Deus da Ponta do Sol e foi trazida para esta povoação pelos pescadores para figurar na procissão de S. Pedro.
A este fervor religioso mistura-se a superstição, sob a forma de ritos profanos e práticas divinatórias, propiciatórias e purificadoras, (crenças, sortes e orações protetoras, criadas pelo povo, que são transmitidas oralmente), com origens em cultos naturalísticos, relacionados sobretudo com o casamento, a felicidade, a saúde e a prosperidade.
ROMARIAS: Em todas as paróquias celebram-se estas festas religiosas ou romarias, consagradas a Deus, ao Espírito Santo, a Nossa Senhora e aos santos, representados por uma relíquia ou por uma imagem. Distinguem-se das outras festas religiosas pelo caráter de “peregrinação”, do percurso efetuado pelo povo até o local do santuário, antigamente a pé, por caminhos íngremes e atalhos.
Normalmente estas festas realizam-se aos fins-de-semana e têm origem numa lenda, ou foram introduzidas pelos primeiros colonizadores, pois estes trouxeram consigo os seus santos de devoção, tornando-os santos protetores de uma determinada localidade.
As festas têm caraterísticas sagradas e profanas. Umas e outras são a face e o verso da mesma moeda.
De entre os rituais sagrados temos a celebração das novenas (nove missas, que se realizam diariamente, antes do dia da entidade que está a ser festejada), as confissões, a missa e a procissão. Dentro da igreja, o povo beija, usualmente, o santo “festeiro”, numa espécie de bênção propiciatória, simbolizando a aceitação do seu poder milagroso e os fiéis cumprem e fazem promessas, protegendo a sua vida quotidiana.
A festa também contempla a parte profana, o “arraial”, como é popularmente conhecido. É o espaço onde se dança, canta, come, realizam-se trocas comerciais, namora-se, etc.
Nesses dias, a igreja e arredores estão decorados com plantas, nomeadamente o louro, a murta, o buxo e a giesta, luzes, flores e bandeiras.
Uma ou mais bandas de música tocam pelas ruas, fazendo intervalos coincidentes com os grupos musicais e folclóricos. Também existem grupos de tocadores improvisados, que alternam entre si um mote, ou que cantam ao desafio (despiques), ao som do reco-reco, das castanholas, da harmónica, do brinquinho, do acordeão e dos instrumentos de corda: rajão, braguinha e viola de arame.

Créditos: Museu Etnográfico da Madeira.
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