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No âmbito do projeto desenvolvido no Museu Etnográfico da Madeira e do qual resultou uma exposição temporária e a edição, em 2019, do livro “Festas e Romarias da Madeira” (Nº 3 da nossa coleção “Cadernos de Campo”), o museu decidiu partilhar, nas suas páginas das Redes Sociais (Facebook e Instagram) diferentes álbuns, com algumas imagens, que fazem parte dessa obra. Iremos percorrer todos os concelhos e divulgar diferentes festas, procurando assinalar alguns aspetos que as caraterizam.

Poderá encontrar mais informação sobre esta e outras festas no Portal dos Museus, ou poderá consultar o livro, que está disponível nas lojas do museu e da Direção Regional da Cultura.
Esta semana, divulga-se a Festa do Senhor dos MIlagres, no concelho de Machico.
Segundo os historiadores, foi no dia 2 de julho de 1419, num sítio do concelho de Machico, que passou a ser denominado Banda d’Além, que se celebrou por padres franciscanos, a primeira missa na Madeira. Como agradecimento da nova descoberta, João Gonçalves Zarco mandou construir uma capela, no local onde se realizou tal ato litúrgico, à qual foi dado o nome de Capela de Cristo. Segundo a tradição popular, a capela está assente no túmulo dos lendários e trágicos amantes Robert Machim e Ane d’Arfet, ingleses que fugiram de Bristol e que teriam sido os primeiros a chegarem à Madeira.
Em 9 de outubro de 1803, depois de dias consecutivos a chover, o leito da ribeira transbordou, inundando a vila de Machico e toda a zona leste da freguesia. As águas também invadiram a capela, destruindo-a parcialmente e arrastaram para o mar, a imagem de Nosso Senhor na Cruz, obra do séc. XVI. Segundo a lenda, três dias depois, uma embarcação americana que vinha do Funchal recolheu a imagem, que, apesar do seu peso, milagrosamente boiava. Ao pretender seguir viagem, o vento começou a soprar em direção contrária. O capitão decidiu então levar a imagem para a Sé do Funchal.
Em 1813 a capela é reconstruída pelos Irmãos da Misericórdia, voltando a imagem para a sua capela, num barco, acompanhada por alguns pescadores naturais de Machico. Como chegou de noite, foi recebida pelos pescadores com archotes, cantando hinos ao Senhor e por esse motivo estes, munidos de archotes, figuram, anualmente, na procissão. Ainda segundo a lenda, quando os barcos entraram na baía, os sinos tocaram a rebate sem que ninguém lhes tocasse. Devido a este milagre e à fé do povo, a capela passou a ser denominada de Capela dos Milagres.
Em memória do dia em que Nosso Senhor dos Milagres protegeu aquela zona aquando da grande aluvião de 1803 e devido ao facto de se ter recuperado milagrosamente a imagem intacta, celebra-se a 8 e 9 de outubro a sua festa.
O ponto mais alto desta festa é a procissão, ocorrida na noite do dia 8 de outubro. A imagem sai da capela dos Milagres, percorre algumas ruas e dirige-se para a Igreja Matriz. Desfilam em silêncio duas filas de pescadores, vestidos a rigor, levando archotes acessos. Um grupo carrega o andor, onde se encontra a imagem do Senhor dos Milagres. Atrás do andor, seguem os padres e atrás destes a banda, tocando uma música melancólica. São seguidos por fiéis, alguns com círios ou com partes do corpo feitos em cera. Outros caminham descalços ou simplesmente integram-se na procissão. Durante este ritual, a luz pública é desligada, ficando a vila de Machico iluminada pela luz das velas dos fiéis, onde reina um ambiente que oscila entre a alegria da festa e a tristeza da procissão que relembra a grande aluvião.
Na parte da tarde do dia 9, depois da missa realiza-se uma outra procissão, mas em sentido contrário, regressando a imagem à sua capela.
ROMARIAS.
Em todas as paróquias celebram-se estas festas religiosas ou romarias, consagradas a Deus, ao Espírito Santo, a Nossa Senhora e aos santos, representados por uma relíquia ou por uma imagem. Distinguem-se das outras festas religiosas pelo caráter de “peregrinação”, do percurso efetuado pelo povo até o local do santuário, antigamente a pé, por caminhos íngremes e atalhos.
Normalmente estas festas realizam-se aos fins-de-semana e têm origem numa lenda, ou foram introduzidas pelos primeiros colonizadores, pois estes trouxeram consigo os seus santos de devoção, tornando-os santos protetores de uma determinada localidade.
As festas têm caraterísticas sagradas e profanas. Umas e outras são a face e o verso da mesma moeda.
De entre os rituais sagrados temos a celebração das novenas (nove missas, que se realizam diariamente, antes do dia da entidade que está a ser festejada), as confissões, a missa e a procissão. Dentro da igreja, o povo beija, usualmente, o santo “festeiro”, numa espécie de bênção propiciatória, simbolizando a aceitação do seu poder milagroso e os fiéis cumprem e fazem promessas, protegendo a sua vida quotidiana.
A festa também contempla a parte profana, ou seja, o “arraial”, como é popularmente conhecido. É o espaço onde se dança, canta, come, realizam-se trocas comerciais, namora-se, etc.
Nesses dias, a igreja e arredores estão decorados com plantas, nomeadamente o louro, a murta, o buxo e a giesta, luzes, flores e bandeiras.
Uma ou mais bandas de música tocam pelas ruas, fazendo intervalos coincidentes com os grupos musicais e folclóricos. Também existem grupos de tocadores improvisados, que alternam entre si um mote, ou que cantam ao desafio (despiques), ao som do reco-reco, das castanholas, da harmónica, do brinquinho, do acordeão e dos instrumentos de corda: rajão, braguinha e viola de arame.
 
Créditos: Museu Etnográfico da Madeira
 
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