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No âmbito do projeto desenvolvido no museu e do qual resultou uma exposição temporária e a edição, em 2019, do livro “Festas e Romarias da Madeira” (Nº3 da nossa coleção “Cadernos de Campo”), o museu decidiu partilhar, nas suas páginas das Redes Sociais (Facebook e Instagram) diferentes álbuns, com algumas imagens, que fazem parte dessa obra. Iremos percorrer todos os concelhos e divulgar diferentes festas, procurando assinalar alguns aspetos que as caraterizam.
Poderá encontrar mais informação sobre esta e outras festas no Portal dos Museus, ou poderá consultar o livro, que está disponível nas lojas do museu e da Direção Regional da Cultura.
Esta semana, divulgamos a FESTA DE SANTO ANTÃO, na freguesia do Seixal, concelho do Porto Moniz.
Santo Antão nasceu no Egipto, em meados do século III. Foi um eremita a quem se atribui muitos milagres. Patrono da Ordem dos Antoninos, passou a ser protetor das doenças de pele. É também padroeiro dos bombeiros, porque curava as vítimas de uma doença de pele, denominada “fogo-de-santo-Antão”, causada por um fungo do centeio, aliviando o ardor causado por esta enfermidade.
Como reflexo do culto popular de Santo Antão e devido à sua fama de curar doenças contagiosas, foi fundada uma congregação religiosa que cuidava destes doentes. Trata-se da "Ordem Hospitalar dos Antonianos", que tinha como insígnia o bastão ou cajado em forma de cruz (T).
Para assegurar a subsistência dos seus hospitais, criavam porcos, que andavam livremente pelas ruas e eram mantidos pela caridade pública, com os restos de comida, sendo a sua banha também usada como remédio para essas doenças.
Por esse motivo, iconograficamente, é representado como um velho eremita barbudo, com o hábito da Ordem dos Antoninos, com uma vara, um sino e um porco.
A devoção a Santo Antão é muito antiga e terão sido os primeiros colonos que trouxeram esta crença para a Madeira.
Padroeiro do Seixal, freguesia do Porto Moniz, desde a sua criação, em 20 de junho de 1553, a sua festa é comemorada a 17 de janeiro, data da sua morte. Como este dia não é dia santo de guarda, a sua festa, com arraial, é transferida para o fim de semana seguinte. É nesta altura que muitos seixalenses pagam promessas.
Devido ao facto de ser representado com um porco, o povo deu-lhe o significado de protetor dos animais domésticos. Antigamente a criação de animais, especialmente a do suíno, era muito importante para a subsistência da população e por isso faziam-se promessas para proteger a sua saúde. No dia de Santo Antão, o padre dá a bênção aos animais para que haja uma boa criação.
Esta festa é organizada e sustentada pelos “festeiros”, que recolhem donativos pelos diversos sítios. Os seus nomes são sugeridos pelos seus antecessores ao padre, que depois os nomeia publicamente. Outros oferecem-se em cumprimento de promessas, ressalvando-se, no entanto, que só podem ser homens casados.
Pelas ruas estão montadas as barracas de comes e bebes, construídas com paus e enfeitadas com louro. As bandeiras com a Cruz de Cristo, os cordões de luzes e flores de plástico e os postes enfeitados com louro e faias, criam um ambiente festivo.
A festa de Santo Antão começa uns minutos antes do meio-dia, com a banda a tocar o seu hino no átrio da igreja, em honra dos festeiros. Ao meio-dia é queimada a “girândola” de foguetes. Os “festeiros” acompanhados da banda musical, percorrem alguns sítios e ruas da freguesia, anunciando a festa.
No início da tarde de domingo, celebra-se uma missa cantada. Durante esta celebração realiza-se o “ofertório”, ou seja, os “festeiros” e esposas, em cortejo, oferecem à igreja bebidas, bolos, doces, etc. Depois da missa, sai a procissão. O andor é transportado pelos “festeiros” ou por alguém por eles nomeado. Integram-na ainda os meninos que realizaram a “Primeira Comunhão”, as confrarias com pendões e a Cruz Processional, o clero, a banda e os fiéis. Durante a saída da imagem, toca o sino e de vez em quanto lançam-se foguetes.
No Porto Moniz, com as comemorações deste santo encerram-se, no Porto Moniz, as comemorações do Natal. É uma altura em que se aproveita para comer os restos dos doces feitos por essa altura e desmontar o presépio. Nestes dias, numa espécie de ritual simbólico, come-se a linguiça, feita com a carne de porco.
ROMARIAS.
Em todas as paróquias celebram-se estas festas religiosas ou romarias, consagradas a Deus, ao Espírito Santo, a Nossa Senhora e aos santos, representados por uma relíquia ou por uma imagem. Distinguem-se das outras festas religiosas pelo caráter de “peregrinação”, do percurso efetuado pelo povo até o local do santuário, antigamente a pé, por caminhos íngremes e atalhos.
Normalmente estas festas realizam-se aos fins-de-semana e têm origem numa lenda, ou foram introduzidas pelos primeiros colonizadores, pois estes trouxeram consigo os seus santos de devoção, tornando-os santos protetores de uma determinada localidade.
As festas têm caraterísticas sagradas e profanas. Umas e outras são a face e o verso da mesma moeda.
De entre os rituais sagrados temos a celebração das novenas (nove missas, que se realizam diariamente, antes do dia da entidade que está a ser festejada), as confissões, a missa e a procissão. Dentro da igreja, o povo beija, usualmente, o santo “festeiro”, numa espécie de bênção propiciatória, simbolizando a aceitação do seu poder milagroso e os fiéis cumprem e fazem promessas, protegendo a sua vida quotidiana.
A festa também contempla a parte profana, ou seja, o “arraial”, como é popularmente conhecido. É o espaço onde se dança, canta, come, realizam-se trocas comerciais, namora-se, etc.
Nesses dias, a igreja e arredores estão decorados com plantas, nomeadamente o louro, a murta, o buxo e a giesta, luzes, flores e bandeiras.

Uma ou mais bandas de música tocam pelas ruas, fazendo intervalos coincidentes com os grupos musicais e folclóricos. Também existem grupos de tocadores improvisados, que alternam entre si um mote, ou que cantam ao desafio (despiques), ao som do reco-reco, das castanholas, da harmónica, do brinquinho, do acordeão e dos instrumentos de corda: rajão, braguinha e viola de arame.

Créditos: Museu Etnográfico da Madeira

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