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mascarasdomundo21A Exposição "Máscaras do Mundo" no Universo de Memórias João Carlos Abreu, dá a conhecer uma das coleções que integram o espólio desta unidade museológica, composta por máscaras provenientes de vários pontos do mundo.


EUROPA

ITÁLIA
Em Veneza a máscara é o verdadeiro símbolo de Carnaval, inicialmente para o homem se embelezar e se transformar e depois como peça decorativa, transformando-se na principal atividade económica da Região.
O primeiro baile de máscaras, “Ball Masquê” acontece no século XV e a partir dessa altura os cortesãos começam a se mascarar fazendo brincadeiras, confiantes no anonimato, extravasando todos os seus impulsos reprimidos, libertando-os das normas sociais.
As personagens que fazem grande sucesso no Carnaval veneziano são aquelas que têm origem no teatro “Commedia dell’arte”, teatro popular que surgiu em Itália.
Personagens principais:
Colombina – criada/serviçal, cómica, maliciosa e amante de Arlequim
Arlequim – criado/servo que veste roupa simples, por vezes colorida, energético, astuto e covarde
Il Dottore - médico, advogado ou outra profissão de prestígio cujo figurino é negro

GRÉCIA
Na Grécia antiga, as máscaras passaram de ritualistas a teatrais, representando o carácter das personagens:
Comédia: histórias engraçadas, verdadeiras sátiras do quotidiano
Tragédia: histórias dramáticas que despertam o terror e a piedade

Atualmente, são muitos os artistas plásticos e artesãos que criam máscaras, exclusivamente, como objetos de arte decorativa.


ÁSIA

CHINA
As máscaras chinesas além de estarem ligadas às artes (dança, teatro e ópera) e aos ritos religiosos (nascimentos, casamentos e funerais) também estão ligadas ao exorcismo e à cura de enfermidades.

SRY LANKA
Possuem uma estreita relação entre o mundo terreno e o mundo espiritual, associando as crenças e práticas do Hinduísmo e Budismos.
No teatro de máscaras estão presentes demónios, que interferem diretamente no quotidiano dos homens, como os Yakku e os Rakshas podendo assumir diversas formas, sendo a mais frequente a de cobra. Todos os atores de teatro são homens e os diálogos são curtos devido à fisionomia das máscaras.

INDONÉSIA
Apesar das máscaras de Bali e Java serem as mais conhecidas, na verdade toda a Indonésia tem uma tradição ancestral no seu uso, tanto nos rituais religiosos como no teatro. Nas festas fúnebres, por exemplo, os mortos são honrados com oferendas, danças com máscaras e comida de maneira a auxiliar o seu espírito na longa jornada e assegurar o bem-estar dos vivos. Após a cerimónia, as máscaras são enterradas com o corpo ou penduradas na lápide.
O teatro também está ligado à religião já que os dramas e danças eram realizados nos templos como oferenda aos deuses. Na arte das máscaras, não existe separação entre o real e o mágico e em palco apenas os homens usam máscara já que as plateias desejam contemplar os rostos femininos.


ÁFRICA

As máscaras, tipicamente africanas, têm origem nas tribos ancestrais e são, maioritariamente, construídas em madeira uma vez que a árvore é, segundo as crenças populares, guardiã de poderes mágicos.
Crê-se que cada máscara tem uma alma ou uma força da natureza, e que quando o rosto de uma pessoa entra em contacto com o interior da máscara, ela transforma-se na entidade que a máscara representa. De tal modo, que o seu portador capta a sua energia vital, distribuindo-a pela comunidade – cura de doentes, rituais fúnebres/libertação das almas, rituais de fertilização das terras/ boas colheitas, rituais de caça, cerimónias de iniciação, casamentos e nascimentos.
Na cultura africana, a máscara é um elemento sagrado e, como tal, só as pessoas especialmente treinadas poderão usá-la e possuí-la.


AMÉRICA DO SUL

PATAGÓNIA
As máscaras são usadas, principalmente, em rituais indígenas que variam consoante a região e as influências da mesma, quer estejam mais perto da Argentina ou do Chile.
A matéria prima utilizada é aquela que a natureza lhes oferece: couro, lã, carapaça, sisal, madeira e cobre são os mais comuns.

MÉXICO
Inicialmente, as máscaras, tinham apenas um cariz religioso e usadas em funerais pelos sacerdotes que reencarnavam diferentes deuses.
Atualmente, ainda são usadas em procissões, mas são nos teatros, bailes e cortejos carnavalescos que máscaras são mais notórias.

PERÚ
Devido à forte influência da cultura Inca, a máscara representa uma força da natureza personificada num Deus – Sol, Lua, Chuva, Trovão e Vento.
Aqui, as máscaras são feitas e trabalhadas em metal, herança deixada pelos Incas que possuíam grande experiência na área metalúrgica.

CUBA
A máscara cubana é usada no Carnaval e como objeto decorativo. Normalmente, são feitas de madeira ou pasta de papel e decoradas com pinturas artesanais de cores garridas.

VENEZUELA
A máscara mais famosa da Venezuela é a do Diabo, usada num dos eventos religiosos mais tradicionais da cultura da Venezuela – Los Diablos Danzantes de Yare. Ocorre na cidade de San
Francisco de Yare, nas nove quintas feiras após a Sexta-feira Santa. É um ritual de dança em que as pessoas vestem trajes coloridos, principalmente vermelhos, com capas e máscaras de aparência satânica, cruzes, escapulários, rosários e outros amuletos religiosos. Os “Diabos” são pessoas que participam na festa para pagar promessas religiosas e dançam/lutam ao som do repique de caixa, pelas ruas da cidade, contra membros da igreja disfarçados, servindo para mostrar a força da Igreja e do bem sobre o mal.

AMAZÓNIA
Na Amazónia, a máscara faz parte dos rituais indígenas e a matéria prima utilizada é o que a natureza lhes oferece, como madeira, sementes, escamas e espinhas de peixe pirarucu, um peixe de água doce, cujas escamas são utilizadas no artesanato local.


# Universo de Memórias João Carlos Abreu.