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VideoIgrejasAs principais construções da cidade do Funchal, onde se destacam a Sé, o Convento de Santa Clara e a Alfândega Nova (actual Assembleia Legislativa Regional), entre outras, tiveram início no séc. XV, época áurea da cidade, pautada pelo comércio do açúcar.
A construção da Sé iniciou-se em 1493 e terminou em 1517, ano em que foi sagrada a 18 de outubro.
Uma das principais caraterísticas construtivas e decorativas desta igreja reside nos tetos da nave central, naves laterais e transeptos, em estilo mudéjar, únicos em Portugal, com estas dimensões e características. Os tetos de alfarge ou mudéjares (de tradição artística islâmica), em madeira de cedro da ilha, encontram-se decorados com pinturas em tons de vermelho, castanho, azul, branco e dourado, predominando as composições vegetalistas, as albarradas ou ânforas e os grutescos. Nos frisos, além dos motivos anteriores, sobressaem os grifos, o escudo, a cruz de Cristo e esferas armilares, estes dois últimos símbolos da heráldica de D. Manuel I.
De perfil retangular (naves) e oitavado (transepto), os tetos são lavrados com entrelaçados geométricos, com origem numa estrela de 8 pontas, rosetas, estalactites e pingentes, emoldurados por um friso de madeira ao longo do remate superior da parede.

A Assembleia Legislativa da Madeira (ALR), antiga «Alfândega Nova», foi mandada construir pelo rei D. Manuel I entre 1508 e 1519. A sua principal função assentava na cobrança dos impostos do açúcar.
No primeiro andar, junto ao alçado norte, encontramos salas com tetos de tradição hispano-mourisca, em madeira de cedro policromada. Das salas existentes, destaca-se o teto oitavado da antiga Sala dos Contos, que apresenta um trabalho complexo, muito idêntico ao dos tetos da Sé do Funchal, com entrelaçados geométricos, com origem numa estrela de 8 pontas, rosetas, estalactites e pingentes, embora a policromia actual não seja a original.
Acredita-se que o autor dos tetos da catedral e da alfândega foi, possivelmente, Pedro Annes, natural de Lisboa (?), identificado como mestre, mestre carpinteiro, mestre-de-obras e representante dos mestres na Câmara do Funchal, assinando com régua e esquadro.

O Convento de Santa Clara foi a primeira casa religiosa feminina edificada na ilha em finais no século XV. A capela de Nossa Senhora da Conceição, da mesma época, foi integrada no convento passando a designar-se Igreja de Santa Clara.
O Convento é composto por um complexo conjunto de edifícios articulados entre si, com vários pisos, que variam entre 2 e 3 pisos, claustro, pátios e espaços interiores distintos.
O coro alto corresponde a um dos espaços mais importantes e antigos do convento, mantendo intactos o teto de alfarge, o pavimento de azulejos hispano-mouriscos e o cadeiral, do século XVI, assim como as paredes com azulejo de padrão pseudo-enxaquetado ou o altar de Nossa Senhora da Assunção, do século XVII, entre outros elementos artísticos.
O teto de alfarge do coro alto de Santa Clara apresenta uma planta rectangular, com 3 panos, um trabalho de policromia simples, apenas com elementos decorativos sobre o altar, e um trabalho de madeiras menos complexo, embora com os característicos entrelaçados geométricos. À semelhança da igreja da Calheta, apresenta os tirantes em madeira.

As intervenções de conservação e restauro dos tetos da Sé do Funchal e a reabilitação e restauro do convento de Santa Clara são projectos co-financiados pelo FEDER, Madeira 14-20.

CONSERVAÇÃO E RESTAURO DOS TETOS MUDÉJARES DA SÉ DO FUNCHAL
Candidatura a fundos comunitários através do projeto M1420-05-2114-FEDER-000023 - Conservação e Restauro dos Tetos Mudéjares da Sé do Funchal, aprovada pelo Instituto de Desenvolvimento Regional, IP-RAM, a 2019/05/10.

BENEFICIAÇÃO GLOBAL DAS ÁREAS VISITÁVEIS DA IGREJA E DO CONVENTO DE SANTA CLARA
Empreitada realizada no âmbito da candidatura a fundos comunitários através do Aviso M1420-05-2114-FEDER-000018 - Reabilitação e Restauro do Convento de Santa Clara, Funchal, aprovada pelo Instituto de Desenvolvimento Regional, IP-RAM, por decisão datada de 2019/02/05

Vídeo e Fotografia - Nuno Rodrigues e Ricardo Faria Paulino
Música - Pedro Macedo Camacho
março 2020

Créditos: Direção de Serviços de Museus e Património Cultural