Fortim do Faial

01Fortim2023O Fortim do Faial deveria ser, no seu primórdio setecentista, uma pequena vigia, isto é, simples guarida com sentinela. Depois da colocação neste espaço, já no século XX, de antigas bocas-de-fogo, peças dos séculos XVIII e XIX, tomou a designação de forte.
No Fortim do Faial encontram-se sete bocas-de-fogo, em ferro, colocadas em estruturas de madeira. Não sendo originárias deste fortim, aponta-se a sua proveniência de embarcações inglesas desmanteladas, abandonadas nas praias e em fortes da Ilha da Madeira. Pertenceram à Quinta Catanho de Menezes e posteriormente integradas neste mirante.
Do Fortim do Faial, um dos ex-líbris do concelho de Santana, edificado numa localização privilegiada e sobranceiro ao mar, observam-se a serra e o Atlântico: as freguesias do Faial – cais, vigia e igreja –, São Roque do Faial, Porto da Cruz e a imponente Penha d´Águia, e, em plano de fundo, quando a atmosfera permite, a Ponta de São Lourenço e a Ilha do Porto Santo. Este fortim foi galardoado, em 2014, pela Condé Nast Traveler de Espanha.
Foi tradição o disparo de fogo do Fortim do Faial durante as festas de verão, especialmente do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora do Faial, assinalando a saída da procissão, cujo fogo era ofertado pela família Catanho de Menezes à padroeira – Nossa Senhora da Natividade. Por razões de segurança foi suspensa esta prática e posteriormente retomada, com recurso a pólvora fraca e sem colocar em perigo pessoas e bens.
O Fortim do Faial, integrado no roteiro histórico e cultural do Faial, está aberto ao público desde 1999. Em 2023, após a sua aquisição pelo Governo Regional da Madeira (2022), foi sujeito a uma campanha de obras de beneficiação de forma a permitir a sua reabertura ao público, com nova organização expositiva e informativa, contando com a colaboração da Casa do Povo do Faial, Junta de Freguesia do Faia, da Empresa de Eletricidade da Madeira e do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza.
O Fortim do Faial está classificado de Imóvel Interesse Municipal, desde 1996.

Textos
Paulo Ladeira e Rita Rodrigues

Projeto e logística das obras de beneficiação
Filipa Abrantes

Fotografia
Filipe Matos, 2023