A edição de 2026 das Jornadas Europeias do Património (JEP), que decorre este ano entre 18 e 27 de setembro, tem como tema “Reviver, resistir, reinventar”.
Com esta comemoração, pretende-se sensibilizar os cidadãos europeus para o valor do património cultural e para a necessidade de o preservar para as gerações atuais e futuras.
No âmbito deste tema, e porque o lema do museu é PRESERVAR NO PRESENTE, O FUTURO DO PASSADO, preparámos um pequeno vídeo com o depoimento da tecedeira Teresa de Jesus, que fala sobre o seu percurso profissional e sobre o seu “saber-fazer”, de que forma aprendeu o ofício e como pretende preservá-lo para as gerações seguintes. O vídeo será partilhado nas Redes Sociais e outras plataformas digitais, no dia 18 de setembro.
Teresa de Jesus é uma das poucas tecedeiras madeirenses que mantém vivo este ofício tradicional. Foi no Sítio do Poiso, freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol, que aprendeu esta arte secular, que está no seio da sua família há três gerações. A mãe e a avó transmitiram-lhe todos os segredos deste ofício, tendo-se iniciado nesta atividade com apenas seis anos. Na sua residência mantém o tear da sua mãe, no qual se dedica também a esta atividade, nos tempos livres.
Esta artesã desempenha funções no Museu Etnográfico da Madeira, desde maio de 2022. Aqui trabalha ao vivo, mostrando àqueles que nos visitam um “saber fazer” feito de experiência, acumulada ao longo de muitos séculos e transmitido de geração em geração. A fiação e a tecelagem estiveram sempre presentes na sua vida. Além do linho e da lã, a artesã tece também retalhos, com os quais confeciona os tradicionais tapetes e mantas.
Ao longo dos anos a artífice utilizou sempre estas três matérias-primas e confecionou diversos artefactos, nomeadamente saias, mantas, tapetes ou almofadas, utilizando as técnicas e os motivos tradicionais, transmitidos no seio familiar. Depois de iniciar o seu trabalho no museu e de contactar com o público a artesã sentiu necessidade de inovar e criar novas peças, que despertassem o interesse do público em geral, adaptando-se às novas necessidades e à nova procura. Assim, começou a confecionar malas, forras para almofadadas, individuais e bases para copos, criando peças mais contemporâneas, mas genuínas, mantendo, no entanto, as técnicas tradicionais.
Nas oficinas de tecelagem, organizadas pelos serviços educativos, intituladas “Mãos que me afagam e tecem fios”, a artesã passa todo o seu conhecimento às novas gerações, incentivando potenciais jovens interessados em manter esta atividade, garantindo o seu futuro.
Créditos: Museu Etnográfico da Madeira
Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura / Direção Regional da Cultura
