Garrafa de água mineral gaseificada do Porto Santo

Coleção do Museu Etnográfico da Madeira | ComércioTradicional - Mercearia. 
A ilha de Porto Santo debateu-se com a escassez de água doce, desde o início do povoamento. Contudo, a água que brotava das poucas nascentes existentes na ilha, tornaram-se famosas, sobretudo da nascente da Fontinha, graças às suas propriedades medicinais, comprovadas pelas primeiras análises efetuadas à água, por médicos e engenheiros, a 7 de janeiro de 1893, em Paris.
João Pestana Santos terá sido, em 1905, o primeiro a comercializar a água da Fontinha, acrescentando a do sítio das Lombas, já não no seu estado natural, mas artificialmente gaseificado, criando, em 1906 uma fábrica muito rudimentar.
Uma exposição no Rio de Janeiro, em 1908, conferiu às águas minerais naturais do Porto Santo o primeiro prémio, Medalha de Ouro e em 1915 é atribuído o contrato de exclusividade a João Vicente da Silva, para exploração e exportação da água, salvaguardando-se o fornecimento de água à população local, através do chafariz da Fontinha, obrigando o concessionário à construção de um reservatório de água, para alimentar o fontanário.
Através do contrato de exclusividade, formou-se, em 1921 a “Sociedade de Água do Porto Santo”, que deu origem à construção, em 1922, de um novo edifício, que passou a designar-se “Casa das Águas” ou “Fábrica das Águas”, como é conhecido até à data presente e recordado pelos populares, pela qualidade das suas águas e como unidade fabril centenária que empregou muitas famílias.
Em 1932 a sociedade mudou de proprietário. Adquirida por Francisco Dias Tavares e António Egídio Henriques de Araújo, passa a designar-se “Água do Porto Santo, Lda.”
Nos anos 60, procedeu-se à modernização da fábrica, introduzindo-se novas tecnologias, de modo a torná-la compatível com as exigências do mercado. Os rótulos das garrafas exibiam a frase “Água mineral. Porto Santo. Bacteriologicamente Pura”, título atribuído nas primeiras análises efetuadas em Paris.
Exportada para a ilha da Madeira, era transportada, inicialmente, pelos pequenos barcos de mercadorias (e, por vezes, também de pessoas), que estabeleciam a ligação entre as duas ilhas, designados barcos de carreira ou barcos de cabotagem, nomeadamente o Portosantense, o Maria Cristina ou o Arriaga.
O edifício onde se encontrava instalada a fábrica, encerrada nos anos 90, faz parte do património imóvel do Porto Santo e é testemunho do património industrial daquela ilha e, em última instância, do Património da Água, da Região Autónoma da Madeira.
Esta garrafa, daquela fábrica porto-santense, faz parte da coleção do Museu Etnográfico da Madeira e encontra-se exposta no espaço de exposição dedicado ao comércio tradicional (mercearia).

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