Vistas estereoscópicas | Freguesia do Monte

Dois estereogramas quase idênticos, captados em simultâneo na freguesia do Monte por fotógrafos diferentes. O primeiro é da autoria de Russel Manners Gordon, Conde de Torre Bela, fotógrafo amador e reputado estudioso da fotografia; o segundo pertence ao também fotógrafo amador Joaquim Augusto de Sousa. Deduz-se pelas anotações que Gordon realizou no seu negativo de vidro que este esforço conjunto visava encontrar uma emulsão de gelatina que resistisse ao aparecimento de fungos. A gelatina é usada na fotografia, desde o final do século XIX, como aglomerante para os cristais de haleto de prata, que concedem fotossensibilidade à emulsão fotográfica. Esta técnica veio suplantar o colódio húmido, que exigia a preparação do negativo no momento da captação e maiores tempos de exposição. Porém, a gelatina, sendo uma proteína de origem animal, fornece alimento a microrganismos quando exposta a uma humidade relativa elevada. Os fungos digerem a gelatina, provocando danos variados na emulsão. Ainda assim, por ser um processo seco, esta técnica fotográfica tornou-se dominante e foi utilizada massivamente até ao advento da fotografia digital.

Créditos: Museu de Fotografia da Madeira - Atelier Vicente's.

1esteogramaCozinha 08SET 2026

RUSSEL MANNERS GORDON.
Cozinha entre a igreja do Monte e o largo da fonte.
junho de 1904.
8,2 x 16,4 cm.
Negativo estereoscópico em vidro, gelatina e sais de prata (frente e verso).
MFM-AV, inv. RMG/41; RMG/41v.
Em depósito na DRABL.

 

2esteograma 08SET 2026

3esteograma 08SET 2026

JOAQUIM AUGUSTO DE SOUSA.
Cozinha no caminho entre a Igreja de Nossa Senhora do Monte e o largo da Fonte (atual Caminho Padre José Marques Jardim).
Antes de 1905.
10,8 x 16,5 cm.
Negativo estereoscópico em vidro, gelatina e sais de prata.
MFM-AV, n.º inv. JAS/1026.
Em depósito na DRABL