
Revista Islenha 75
Funchal, SRETC / DRC. ISSN: 8972-5004.
julho | dezembro de 2024.
Conselho Editorial: Élia de Sousa e Rita Rodrigues.
Idioma: Português
"Passámos a grande Ilha da Madeira, / (...) / Das que nós povoamos, a primeira,(...)".
Luís Voz de Camões (Os Lusíadas,1572)
Esta é, sem dúvida, uma edição especial. A Revista Islenha chega ao número 75, sem interrupção da sua publicação desde o primeiro número, em 1987.
A revista Islenhc número 75 traz em si um grande simbolismo, primeiro, pela sua longevidade (1987-2024) e pelo facto de2O2A ser o ano das comemorações do quinto centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões (1524-1580), o poeta da epopeia dos descobrimentos portugueses, homem do renascimento europeu e humanista, que deixou um legado incontornável na literatura lusófona.
O seu poema épico, OS LUSÍADAS, escrito em língua portuguesa, até então raramente utilizada pelos eruditos, que preferiam o latim, alcançou, ao seu tempo, países fora das fronteiras portuguesas.
Relembre-se que ainda no século XVI foi traduzido para castelhano e no século XVII para latim, inglês e italiano, seguindo-se outras tantas línguas a partir do século XVIII, como o francês, holandês,
polaco, alemão, sueco, húngaro, dinamarquês, etc.
Ao contar allha da Madeira, na sua obra OSLUSIADAS (canto v Estância V 1572), o poeta contribuiu para acentuar o encantament o das ilhas afortunadas no imaginário coletivo, além fronteiras
lusas, ao longo dos tempos:
Passámos a grande Ilha da Madeíra,
Que do muíto qrvoredo assim se chama,
Das que nós povoamos, a prímeíra,
Mais célebre por nome que por fama:
Mas nem por ser do mundo a derradeira
Se lhe aventajam quantas Vénus ama,
Antes, sendo esta sua, se esquecera
De Cipro, Gnido, Pafos e Citera.
A Ilha da Madeira, plantada no meio do Oceano Atlântico, era já conhecida dos navegadores e cartógrafos desde meados do século XIV como consta em algumas cartas náuticas (Portulanos).
Através da literatura também ganhou projeção internacional, juntamente com a sua ilha-irmã - Porto Santo -, particularmente pelos viajantes, cientistas, escritores e artistas, que deixaram um extraordinário legado documental, testemunhos de uma visão de forapara dentro, ota de cariz científico e histórico, ora mais poetizado, emergidos de conhecimentos, visões, vivências e emoções. Por isso, as nossas ilhas e o nosso povo continuam mapeados no mundo pela sua forma genuína de acolher o outro.
O Oceano Atlântico parece acentuar as insularidades, mas a verdade é que o Atlântico se limita a ser uma imensa massa de água, polvilhada de ilhas, mas transporta também uma Iarga tradição histórica. Foi o palco de encontro de mundos, a partir do século XVI> (Alberto Vieira, 1956-2019). Assim, o espaço arquipelágico da Macaronésia - Açores, Cabo Verde, Canárias e Madeira - tem sido privilegiado pelos muitos autores que publicaram e publicam artigos na revista Islenha, igualmente extensivos a outros mundos e à diáspora. Deste modo, o Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional de Economia, Turismo e Cultura e da Direção Regional da Cultura, assume a relevada importância desta publicação que tanto expressa os valores da atlanticidade' Fica aqui um agradecimento a todos que arquitetaram a revista Islenha e um repto aos vindouros: privilegiar a dimensão universal do conhecimento.
Miguel Albuquerque
Presidente do Governo Regional do Madeira